
A respeito do episódio sobre o tal gás de pimenta que contaminou de maneira indevida e repugnável o vestiário do São Paulo no Palestra Itália no último domingo, penso o seguinte:
Não sei quais são as medidas do vestiário, mas imagino que para abrigar uma equipe inteira de futebol, incluindo reservas e comissão técnica, não deve se tratar de um espaço muito acanhado.
Vamos imaginar aqui que um torcedor tenha conseguido furar a revista policial na entrada e, assim, tenha entrado no estádio com o gás pimenta. Muito bem, ninguém em perfeito estado de equilíbrio mental, leva gás pimenta ao estádio. Portanto, estamos falando aqui de um sujeito, no mínimo, mal intencionado. Possivelmente já tinha na cabeça o plano malévolo de atacar o vestiário do São Paulo antes do intervalo.
Esse torcedor, além de carregar gás pimenta, burlar a revista policial e levar até o estádio um plano de ataque ao vestiário do adversário, certamente conhece bem o estádio do Palmeiras a ponto de saber qual é a janela certa para atacar. Se atacou pelo duto de ventilação, meu Deus! Vai entrar pra equipe do George Clooney no próximo "Onze Homens e Um Segredo" (aliás, esse nome pode vir bem a calhar pra essa história...)
Adiante.
O sujeito deve ter contado com a ajuda de amigos durante o ataque, já que precisaria de alguém, no mínimo, para encobrir a ação. Já que a idéia era atrapalhar a equipe adversária no intervalo de jogo, imagino que o cidadão deva ter descido com o aparato pouco antes do intervalo e despejado o tubo inteiro (pra contaminar um vestiário!) pela janela. Isso tudo sem ninguém ver ou deixar pistas. Lembre-se que estádio estava abarrotado. Para alguém fazer uma cagada dessas sem ser notado, só sendo um ninja.
Possivelmente o ataque foi feito por dentro então. Aí temos duas possibilidades:
Ou o cara era um ninja mesmo para entrar e sair de uma área vigiada sem ser notado, ou então alguém facilitou sua entrada. Fez que não viu.
Considerando que só a segunda hipótese parece realmente factível, não trataria-se de um aventureiro com bons contatos. O sujeito, neste caso, seria parte de um plano que contou com a colaboração de "N" outras pessoas. Com tantos contatos assim, seria bem pouco inteligente fazer alguém carregar spray de pimenta para dentro da área dos vestiários. Para quê correr esse risco todo?
Acreditem: o artefato que disparou o gás de pimenta já estava dentro dos vestiários e foi disparado com toda a calma e cuidado para que o ambiente fosse devidamente infectado.
Obviamente que isso não foi obra de algum maluco fã de filmes de aventura. Foi armado. Quem poderia fazer algo do tipo e os motivos que teria:
1. O Palmeiras
Porque precisava desconcentrar o adversário e ganhar o jogo a todo custo, arquitetou um ataque com gás pimenta no vestiário do adversário. O gol de mão do Adriano não havia descido, as declarações do Marco Aurélio Cunha ao longo da semana irritaram, o jogo era de vida ou morte. Não importa. A idéia seria "envenenar" o adversário e danem-se as consequências.
E mesmo vencendo o primeiro tempo, ninguém sequer cogitou suspender o plano. Seguiram.
Quais seriam os óbvios prejuízos, já que a culpa (de imediato) seria creditada ao clube?
- Mandaria rio abaixo todo esforço da diretoria do Palmeiras em mostrar as plenas condições de segurança do Palestra Itália para realizar grandes jogos;
- Colocaria em xeque o profissionalismo da direção do Palmeiras;
- Daria ao São Paulo argumentos e razões para nunca mais pisar ali;
- Encheria os diretores do São Paulo de razão;
- Poderia provocar uma interdição do estádio, fazendo com que o time jogasse a finalíssima longe de sua torcida;
Vejamos o segundo suspeito:
2. O São Paulo
Depois de ganhar o primeiro jogo com a ajuda da arbitragem, o Tricolor sabia que passaria por sérios apuros no território inimigo. Questinou a segurança e condições do Palestra Itália desde o primeiro minuto após a decisão da FPF e evocou toda a estrutura do Morumbi. Como o foco do time é a Libertadores e o título paulista não soa como grande coisa, o plano poderia ser o seguinte: se virarmos perdendo, vamos tumultuar. Alguém entra lá e dispara o gás de pimenta. A gente volta para o gramado, faz cena pro Brasil todo, diminui a vitória do Palmeiras e nunca mais pisamos aqui. A culpa vai cair toda em cima do Palmeiras e acabou pra eles. Nem a final vão jogar em casa.
Quais as possíveis consequências para o São Paulo?
Quase nenhuma. Caso alguém descobrisse, a imagem de profissionalismo do clube seria arranhada e a diretoria do Palmeiras se encheria de razão. Isso, caso alguém descobrisse.
Agora, não parece estranho que em tantos anos de futebol no Palestra Itália a única pessoa que alegou ter apanhado de torcedores na saída foi justamente o goleiro reserva do São Paulo, que também afirmou ter levado uma "pilhada" que, comprovadamente, não foi jogada?
Não parece estranho que em tantos anos, justamente o vestiário do São Paulo tenha sido atacado com substâncias "tóxicas". A história, que eu me lembre, não registra nenhum incidente, fosse com "pó de mico" no vestiário de qualquer adversário do Palmeiras. Por que seria agora, num jogo tão visado e vigiado? Estranho, não?
E por que, afinal, o São Paulo não quis tomar banho nos vestiários, mesmo após o Palmeiras ter feito a limpeza do tal gás? Esquisito.
Foi um fato lamentável e que precisa ser investigado. Até que provem o contrário, todos são culpados.
Eu tenho minha opinião...