domingo, 27 de abril de 2008

Como diria o Galvão: final é um grande barato!

Neste domingo assisti apenas o jogo entre Ponte Preta e Palmeiras. As demais partidas acompanhei os gols e melhores momentos, além das entrevistas nos vestiários. Pelo que pude observar, arrisco alguns comentários.

Em São Paulo, o Palmeiras jogou como grande time que é, se impôs desde o primeiro minuto da partida e agora está numa situação deveras confortável. Não que a Ponte esteja morta, nada disso. Mas a Macaca precisará vencer por 2 gols de diferença no Palestra Itália, isso se não tomar nenhum. Não custa lembrar que o Palmeiras não perdeu neste ano dentro de casa e em 100 jogos dirigindo o Verdão em seu estádio, Luxa voltou pros vestiários derrotado apenas quatro vezes. Será uma missão dura, quase inglória, para a Ponte. 

No Rio de Janeiro o Botafogo perdeu a primeira, mas está vivíssimo. Na partida de domingo que vem Alessandro e Jorge Henrique voltam. Triguinho e o goleiro Castillo estão no Departamento Médico e têm chances mínimas. O Flamengo terá uma viagem desgastante e uma partida embaçada no meio da semana contra o América do México pela Libertadores. O técnico Joel "prancheta" Santana cogitou até poupar jogadores (tá confiante o moço!), o que não livrará o elenco do cansaço. Se a Ponte Preta tem chances, imaginem o Botafogo. Tá tudo aberto.

Em Minas já era. Cruzeiro campeão. Levar 5 cocos logo na largada é muita incompetência. 

No Rio Grande Sul, com um gol no finzinho, o Juventude atrapalhou bonito os planos do Internacional de levantar a taça em casa no domingo que vem. Agora o Colorado precisa ganhar por uma diferença de 2 gols no Beira-Rio. Caso o Inter vença pelo mesmo placar, o título será decidido nos pênaltis. É difícil? Sim. Pero no mucho. Basta lembrar o que aconteceu com o Paraná Clube semana passada dentro do mesmo Beira-Rio.

Por falar em Paraná, por lá o Coritiba é quem está com a vantagem. Poderá até perder por um gol de diferença domingo que vem na Arena da Baixada que, ainda assim, ergue a taça. Missão dura pro Atlético. Olha o Dorival Júnior, de novo, mostrando sua competência. 

Para fechar quero apenas fazer um breve comentário sobre o "jornalista" Flávio Prado, que tratou o Botafogo com absoluto desrespeito na Rádio Jovem Pan neste domingo, em seus comentários pós-jogo. Depois de dizer que o Fogão era um "mega cavalo paraguaio" e que mesmo quando teve Garrincha, Didi, etc., não passou de campeão carioca, o cidadão emendou a pérola: "o Botafogo está fadado ao segundo escalão do futebol brasileiro". 

Prefiro não dar profundidade a isso por que além do comentário ser de mal gosto e inverídico, não tenho autoridade para discorrer sobre a história do Botafogo. Digo apenas o seguinte: Flávio Prado é comentarista da empoeirada Jovem Pan AM e apresentador da inexpressiva (pra não dizer medíocre) TV Gazeta. 

Pergunto a você, Flávio Prado: quem é segundo escalão? 

segunda-feira, 21 de abril de 2008

História esquisita...

A respeito do episódio sobre o tal gás de pimenta que contaminou de maneira indevida e repugnável o vestiário do São Paulo no Palestra Itália no último domingo, penso o seguinte:

Não sei quais são as medidas do vestiário, mas imagino que para abrigar uma equipe inteira de futebol, incluindo reservas e comissão técnica, não deve se tratar de um espaço muito acanhado.

Vamos imaginar aqui que um torcedor tenha conseguido furar a revista policial na entrada e, assim, tenha entrado no estádio com o gás pimenta. Muito bem, ninguém em perfeito estado de equilíbrio mental, leva gás pimenta ao estádio. Portanto, estamos falando aqui de um sujeito, no mínimo, mal intencionado. Possivelmente já tinha na cabeça o plano malévolo de atacar o vestiário do São Paulo antes do intervalo.

Esse torcedor, além de carregar gás pimenta, burlar a revista policial e levar até o estádio um plano de ataque ao vestiário do adversário, certamente conhece bem o estádio do Palmeiras a ponto de saber qual é a janela certa para atacar. Se atacou pelo duto de ventilação, meu Deus! Vai entrar pra equipe do George Clooney no próximo "Onze Homens e Um Segredo" (aliás, esse nome pode vir bem a calhar pra essa história...)

Adiante.

O sujeito deve ter contado com a ajuda de amigos durante o ataque, já que precisaria de alguém, no mínimo, para encobrir a ação. Já que a idéia era atrapalhar a equipe adversária no intervalo de jogo, imagino que o cidadão deva ter descido com o aparato pouco antes do intervalo e despejado o tubo inteiro (pra contaminar um vestiário!) pela janela. Isso tudo sem ninguém ver ou deixar pistas. Lembre-se que estádio estava abarrotado. Para alguém fazer uma cagada dessas sem ser notado, só sendo um ninja.

Possivelmente o ataque foi feito por dentro então. Aí temos duas possibilidades:

Ou o cara era um ninja mesmo para entrar e sair de uma área vigiada sem ser notado, ou então alguém facilitou sua entrada. Fez que não viu.

Considerando que só a segunda hipótese parece realmente factível, não trataria-se de um aventureiro com bons contatos. O sujeito, neste caso, seria parte de um plano que contou com a colaboração de "N" outras pessoas. Com tantos contatos assim, seria bem pouco inteligente fazer alguém carregar spray de pimenta para dentro da área dos vestiários. Para quê correr esse risco todo?

Acreditem: o artefato que disparou o gás de pimenta já estava dentro dos vestiários e foi disparado com toda a calma e cuidado para que o ambiente fosse devidamente infectado.

Obviamente que isso não foi obra de algum maluco fã de filmes de aventura. Foi armado. Quem poderia fazer algo do tipo e os motivos que teria:

1. O Palmeiras

Porque precisava desconcentrar o adversário e ganhar o jogo a todo custo, arquitetou um ataque com gás pimenta no vestiário do adversário. O gol de mão do Adriano não havia descido, as declarações do Marco Aurélio Cunha ao longo da semana irritaram, o jogo era de vida ou morte. Não importa. A idéia seria "envenenar" o adversário e danem-se as consequências.

E mesmo vencendo o primeiro tempo, ninguém sequer cogitou suspender o plano. Seguiram.

Quais seriam os óbvios prejuízos, já que a culpa (de imediato) seria creditada ao clube?

- Mandaria rio abaixo todo esforço da diretoria do Palmeiras em mostrar as plenas condições de segurança do Palestra Itália para realizar grandes jogos;

- Colocaria em xeque o profissionalismo da direção do Palmeiras;

- Daria ao São Paulo argumentos e razões para nunca mais pisar ali;

- Encheria os diretores do São Paulo de razão;

- Poderia provocar uma interdição do estádio, fazendo com que o time jogasse a finalíssima longe de sua torcida;

Vejamos o segundo suspeito:

2. O São Paulo

Depois de ganhar o primeiro jogo com a ajuda da arbitragem, o Tricolor sabia que passaria por sérios apuros no território inimigo. Questinou a segurança e condições do Palestra Itália desde o primeiro minuto após a decisão da FPF e evocou toda a estrutura do Morumbi. Como o foco do time é a Libertadores e o título paulista não soa como grande coisa, o plano poderia ser o seguinte: se virarmos perdendo, vamos tumultuar. Alguém entra lá e dispara o gás de pimenta. A gente volta para o gramado, faz cena pro Brasil todo, diminui a vitória do Palmeiras e nunca mais pisamos aqui. A culpa vai cair toda em cima do Palmeiras e acabou pra eles. Nem a final vão jogar em casa.

Quais as possíveis consequências para o São Paulo?

Quase nenhuma. Caso alguém descobrisse, a imagem de profissionalismo do clube seria arranhada e a diretoria do Palmeiras se encheria de razão. Isso, caso alguém descobrisse.

Agora, não parece estranho que em tantos anos de futebol no Palestra Itália a única pessoa que alegou ter apanhado de torcedores na saída foi justamente o goleiro reserva do São Paulo, que também afirmou ter levado uma "pilhada" que, comprovadamente, não foi jogada?

Não parece estranho que em tantos anos, justamente o vestiário do São Paulo tenha sido atacado com substâncias "tóxicas". A história, que eu me lembre, não registra nenhum incidente, fosse com "pó de mico" no vestiário de qualquer adversário do Palmeiras. Por que seria agora, num jogo tão visado e vigiado? Estranho, não?

E por que, afinal, o São Paulo não quis tomar banho nos vestiários, mesmo após o Palmeiras ter feito a limpeza do tal gás? Esquisito.

Foi um fato lamentável e que precisa ser investigado. Até que provem o contrário, todos são culpados.

Eu tenho minha opinião...


domingo, 20 de abril de 2008

Acabou!!


Deu Palmeiras.
Farpas, briga por mando, laudo da PM, guerra de bastidores, promotor público se metendo, governador intercedendo, acusações de ambas as partes, briga por ingressos, gol de mão, pichação de portão, expulsões, provocações dentro e fora de campo, gás tóxico, queda de energia, olé, confusão, empurra-empurra, e, no fim....... deu Palmeiras. Vencemos a batalha.


O Mago mostrou que é ídolo, tem carisma, arrebentou com o jogo, selou o caixão tricolor, fez o clássico sinal que "acabou", sorriso maroto para Rogério Ceni, dedinho na boca mandando ficar quieto, um tapa na cara, um empurrão acolá e a classificação garantida para a final.


Para os palmeirenses, o campeonato já acabou. O que importava era eliminar o São Paulo. Se vai se campeçao ou não, é outra história. Mas era preciso marcar posição, mostrar que os "italianinhos" continuam incomodando a elite quatrocentona acostumada a mandar governadores biônicos da ditadura ao banco de reservas. Ironicamente a mesma elite que tanto reprimiu na época da ditadura e que teve em Laudo Natel um símbolo que costumava sentar no banco tricolor pressionando arbitragem e adversários, hoje chora por uma simples cheiro estranho em seu vestiário. Após o jogo, fugiram do estádio sem sequer tomar banho, lembrando a "fuga das galinhas" de 1942.


Quem, como eu, cansou de ir ao Morumbi como visitante em tardes ensolaradas de domingo e passar sede durante 4, 5 horas em função de "água cortada" para a torcida adversária, estranha essa postura em prol do "fair play" hoje adotada pelos tricolores. Sim, no Morumbi cansei de passar sede pois do lado verde o tricolor fechava até a água das privadas; sim, os mesmos que hoje desdenham do Palestra Itália, um dia tentaram roubá-lo em função da segunda guerra. Também são os mesmos que hoje clamam por todos os jogos serem realizados no Morumbi, que em 94 esburacaram o gramado do próprio estádio, para que o Palmeiras não jogasse ali a final do brasileirão daquele ano; também não adiantou, pois fomos campeões no Pacaembu. Infelizmente o futebol tem memória curta, mas eu não. Os palmeirenses nunca foram patéticos ao ponto de dizer que o Palestra é um estádio neutro. Não é!!! Ali é nossa casa e não é confortável para os adversários, assim como o Morumbi não é para nós.


Certamente acabou a batalha, mas não acabou a guerra. Desde 1942 Palmeiras x São Paulo vivem em guerra contínua, velada, com inúmeros capítulos que extrapolam o futebol, a esportividade. Nesse duelo, "fair play" nunca foi um argumento plausível.


Por enquanto, o choro é livre para todo e qualquer são paulino. Acabou a batalha e o Palmeiras foi vencedor. Aos derrotados, eu sugiro que baixem a cabeça e fiquem quietos, assim como sugere o mago Valdívia ao Rogério Ceni, pois sabemos que no brasileirão tem mais.

Até lá, a nação verde pode comemorar, pois o alvi-verde está mais imponente do que nunca e, para tristeza dos quatrocentões da elite, esses italianinhos são encardidos para caramba.


Marcelo SV


A final que durou 90 anos


Hoje, Botafogo e Fluminense fazem a final da Taca Rio, o segundo turno do Carioca, para definir quem enfrenta o Flamengo pelas finais do Estadual. O Botafogo é o atual campeão....
O encontro entre estas duas equipes é chamado de "clássico vovô", por ser o mais antigo do futebol brasileiro. O primeiro derby entre as duas equipes aconteceu em Outubro de 1905. Mas foi em 1907 que aconteceu a mais longa final do futebol brasileiro. Ao invés de levar 90 minutos, levou quase 90 anos!

Na segunda edição do Campeonato Carioca, Botafogo e Fluminense lideravam o torneio, que contava ainda com Internacional e Paysandu, e só. O Internacional, suspenso pela Liga de então, perdeu por WO para o Fluminense, e mesmo não estando mais suspenso preferiu não enfrentar o Botafogo, que também venceu por WO. Assim, os times de General Severiano e das Laranjeiras chegavam ao final do torneio empatados. O regulamento não previa qualquer critério de desempate. O tricolor, que tinha melhor saldo de gols, se proclamou campeão. O alvinegro chegou a propor um jogo desempate para decidir o título, mas o Fluminense se recusou a jogar. A Liga foi dissolvida no ano seguinte, e o título foi parar na justiça (algumas coisas são tão antigas quanto o futebol carioca).

Em 1989 (!) o Botafogo foi declarado pela Federação Carioca como o Campeão Estadual de 1907, após anos de briga nos tribunais. Aí foi a vez do Fluminense brigar, e por fim, em 1996 ambos foram declarados Campeões Cariocas daquele 1907. Por causa disso o alvinegro mudou oficialmente a letra do seu hino que dizia "campeão desde 1910", para "campeão desde 1907", e uma forçada na métrica fez caber.

Hoje, mais um encontro histórico, que todos esperam que acabe em 90 minutos, porque 90 anos para definir um título é um pouco demais... mesmo para os padrões do maltratado futebol carioca.
HELENO DE FREITAS

domingo, 13 de abril de 2008

Meteu a mão!


Quando perguntaram minha opinião sobre o placar da primeira partida semi-final entre Palmeiras e São Paulo, disse a alguns amigos que esperava, acima de tudo, uma arbitragem decente (algo difícil entre a "turma do coroné") e que o melhor vencesse em campo.

O que aconteceu no Morumbi foi exatamente o contrário. Uma arbitragem, outra vez, patética de Paulo César de Oliveira. E olha que o coroné tava lá conferindo tudo de perto!

E tome, de novo, explicações do Paulo César de Oliveira. Ele interpretou que o Adriano não teve a intenção de colocar a mão na bola, ainda que a cabeça do imperador mal tenha tocado na bola! Essa é nova! O próprio Adriano disse que tocou "um pouco" com a cabeça. Gol de mão, cacete! O cidadão voa com a mão na frente do corpo, desvia a trajetória da bola com ela e o lance é "interpretativo"? 

Só pra lembrar a todos, esse árbitro é o mesmo que interpretou que o jogador Malaquias do Bragantino não fez falta no goleiro Marcos naquele lance esdrúxulo que levou o palmeirense a julgamento por agressão. De interpretação, o tal do Paulo Sérgio de Oliveira sabe tudo! E deve combinar suas interpretações com a bandeirinha Maria Elisa Barbosa. O que ele considera certo, ela também. O que ele não vê, ela também. E por aí vai.

Há informações circulando (não posso comprovar a veracidade, mas há "quem" garanta) que conselheiros do São Paulo "pressionaram" o trio de arbitragem antes da partida. Pelo visto deu certo. A bandeira Maria Elisa Barbosa não apenas "desconsiderou" a mãozada do Adriano, como também inventou irregularidades, como no lance em que interrompeu um ataque do Palmeiras marcando sei-lá-eu-o-quê do Alex Mineiro. Ficou sem graça e desculpou-se. Olha o nível!

No questão dos cartões, Paulo César de Oliveira fez o que se esperava dele: a "chamada" média. Sexta-feira, num papo entre amigos no café a gente falava: ele vai tirar o Pierre e dois do São Paulo. Pena que é tão mais fácil sentir o cheiro da mediocridade do que acertar os número da mega-sena.

O pênalti a favor do Palmeiras foi contestado pelos são-paulinos. Normal. Com um gol de mão na conta, era preciso achar algo para chiar. De qualquer maneira, acho que o juizinho não marcaria a penalidade em condições normais de pressão e temperatura. Mais uma vez, aplicou a lei da compensação. "Já que caguei lá, cago aqui também e fica tudo certo". 

Achei que a partida foi limpa entre os jogadores. O Palmeiras fez um primeiro tempo tempo melhor, apagou-se depois do segundo gol do São Paulo, e voltou a crescer depois do gol de Alex Mineiro. O São Paulo subiu a campo para jogar defensivamente (e acertadamente) e explorando a velocidade e a força dos atacantes.

Claro que sair com um gol de mão atrás, quebra qualquer planejamento. Parêntesis: se o Alex Mineiro tivesse um gol de mão validado com 0 x 0 no placar, a partida estaria parada até agora. Mas isso é assunto pra outro post. De qualquer maneira, o jogo foi equilibrado.

Vamos, de novo, torcer para uma arbitragem limpa e sem erros grosseiros no segundo jogo. 

E que vença o melhor, não é Coronel Marinho?  

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O monstro dos jornais


Aqui no Brasil costumamos dizer que não respeitamos nossa história, não valorizamos nossos ídolos como, por exemplo, os americanos com suas "Hall Of Fame", números de camisa aposentados e homenagens intermináveis. Até é verdade, mesmo. Talvez seja uma herança da colonização portuguesa, com seu foco meramente extrativista, onde tudo por aqui era provisório. Pode ser, mas quando algumas coisas acontecem em outros países de histórico distinto, as teorias se desfazem.

Não tem muito tempo o craque Rivaldo era o ídolo maior do poderoso Barcelona. De uma hora para outra, a imprensa começou a culpá-lo pelas derrotas, a diretoria começou a reclamar abertamente do craque, induzindo a torcida a vê-lo como um problema. Foi execrado e vendido. Hoje, no AEK da Grécia, Rivaldo vê o mesmo filme, só que desta vez à distância. "Estão fritando o Ronaldinho!". Palavras dele.

O Gaúcho é o maior ídolo do clube catalão (ou era), conquistou dezenas de títulos com a camisa do Barça e era tido como um quase deus. Na temporada passada o Barcelona perdeu para o Real Madrid um campeonato da Liga Espanhola que não deveria perder, já que liderava com folga, depois perdeu o Mundial Interclubes para o Inter de Porto Alegre, e já quase não tem chances de reverter o quadro atual do Espanhol. Faltando sete rodadas, está sete pontos atrás do Real Madrid. E de quem é a culpa? Do Ronaldinho! O time não faz gol, de quem é a culpa? Do Ronaldinho. Aparece uma lista de jogadores contundidos, e quem não está na lista? Ronaldinho, mas também não joga. O técnico Frank Rijkard (craque de bola no seu tempo), é um treinador sofrível, e consegue armar mal um time que tem Messi, Etoo, Henry e muito mais. E de quem é a culpa? Do Ronaldinho. É o preço de ser ídolo. Mas é só no dele?

O que chama a atenção é a campanha empreendida para "queimar o filme" do gaúcho. Já apareceram notícias de noitadas (nunca tinha ouvido falar disso com ele), faltas aos treinos, falta de empenho nos jogos e muito mais. A imprensa publica tudo, e ainda aumenta quando dá. Está claro que é uma campanha para vender o craque brasileiro. O motivo pode ser o fato de que o Barça tem outros craques no plantel, pode ser por acharem que ele já deu o que tinha de dar, ou porque estão precisando de dinheiro (sendo o Barcelona, esta hipótese é difícil). A torcida já comprou o discurso da diretoria e não cansa de vaiar o jogador. Apagaram o ídolo e o tratam com enorme falta de respeito.

O Milan (patrocinado pela Adidas) ofereceu 20 milhões de Euros para ter Ronaldinho, mas a Nike (patrocinadora pessoal do Ronaldo) prefere a Inter de Milão (patrocinado pela Nike). A negociação segue, o irmão Assis, empresário de Ronaldinho já fala em pagar a pesada multa e ir embora. O único fato definitivo é que Ronaldinho Gaúcho não estará no Barcelona na temporada 2008/2009. Acabou seu tempo por lá.

Mas deve haver algo na história da Espanha que a faz lembrar o Brasil no quesito memória curta. O Real Madrid resolveu fazer o mesmo com Robinho! Até outro dia era tido como inegociável, blindado e ídolo do time merengue. De algumas semanas para cá, Robinho não joga (como Ronaldinho), quando muito fica no banco (como Ronaldinho), a imprensa não se cansa de falar em contusões que não existem, noitadas, falta de dedicação nos treinos.... não parece o mesmo filme?? Os pouco criativos espanhóis da capital e da Catalunha só têm uma diferença: o Real alega que precisa de dinheiro. O técnico do Real, Bernd Schuster, diz que não pode abrir mão do "rei das pedaladas", mas a diretoria já disse que não rola. Deve parar no Chelsea ou no Milan (daqui a pouco o Milan vai jogar de camisa amarela e calção azul).

Nada contra a compra e venda de atletas, mesmo que sendo grandes ídolos, faz parte do negócio. Ganhar salários milionários também aumenta sua responsabilidade e as cobranças sobre seu rendimento e comportamento (mesmo fora dos gramados), coisa que alguns ainda não entenderam, né Adriano? Mas evitar um confronto com a torcida criando um monstro pela imprensa me parece covarde e desleal. Rivaldo, Ronaldinho, Robinho... outros virão. É parte do jogo, infelizmente. Ainda que Barcelona e Real Madrid não precisem disso. Suas histórias são maiores que seus ídolos.

HELENO DE FREITAS

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Exemplos, apesar de tudo...


O Campeonato Paulista deu mais alguns exemplos de seriedade nesta última rodada de classificação. Não, não estou brincando! Vejamos.


Ao longo da semana passada muito falou-se sobre o fato de que o Santos escalaria seu time reserva para enfrentar a Ponte Preta, na Vila Belmiro. Ora, com uma libertadores pela frente, um elenco capenga e eliminado do Paulistão, quem não faria o mesmo? Só se fosse burro (e o bicho é outro). Leão foi acusado de covardia e até de coisas piores. Por que e por quem? Pelo Corinthians e seus torcedores e simpatizantes (incluo jornalistas na lista). O Timão precisava de um tropeço da Ponte Preta para, com uma vitória em seu jogo contra o Noroeste, passar à fase semifinal do Estadual. Houve quem clamasse por multa (!!) ao Santos...


Pois muito bem, o Santos jogou com um time quase reserva, abriu o placar, esteve perdendo, lutou até o final e conseguiu um empate com a Ponte. Resultado suficiente para calar a boca da imprensa, torcedores e classificar o Corinthians. Mas espere... o que houve? O Corinthians jogando com a cabeça em Santos ao invés de jogar bola em Bauru (local do jogo com o Noroeste), fora a qualidade do elenco alvinegro paulistano neste ano, perdeu o jogo e de virada! Resultado: eliminado. De nada adiantaram a choradeira, as reclamações e acusações. Isso mais parece coisa de quem já se imaginava eliminado e resolveu arranjar um "culpado". Como se tudo o que aconteceu com a gestão corintiana nos últimos anos não fosse mais que suficiente para eliminar o clube. O Santos deu exemplo, Leão gritou à beira do gramado o jogo inteiro, e cumpriu seu papel. Não para ajudar o outro alvinegro, mas para honrar a camisa que já foi de Pelé, e a história do Peixe é motivo suficiente para se ter vergonha na cara. Sempre.


O outro exemplo dado pelo Paulistão aos demais estados nem deveria ser encarado assim. Deveria ser óbvio, mas não é. Os jogos da última rodada envolviam diversos times com chances de classificação, e outros tantos brigando para não cair, e os jogos começaram ao mesmo tempo!!! Brilhante!! Mas espere, não estavam marcados para a mesma hora? Então qual o motivo para o espanto?


Dê uma chegada ao Campeonato Carioca do ano passado, e verá que no primeiro turno, na rodada final de classificação, mesmo com os jogos marcados para a mesma hora, a coisa não rolou. Teve jogo começando com 15 minutos de atraso. Parabéns ao Vasco pelo exemplo. Quer mais um? A rodada final do Brasileirão do ano passado. Um vexame. O jogo do Corinthians com o Gremio começou com 20 minutos de atraso (o timão não entrava em campo nem a pau), e o outro jogo que determinaria o rebaixado, entre Goiás e Internacional, ainda começou depois!!! Com os dois times em campo e se recusando a dar a saída enquanto a outra partida (do Corinthians) não começasse.


Por estes exemplos já dá pra entender o motivo da minha "comemoração". Seriedade e vergonha na cara, como exemplos, começam sempre em algum lugar. Espero que seja em São Paulo. E que não tenha sido uma exceção. Boa sorte aos quatro classificados.


HELENO DE FREITAS

domingo, 6 de abril de 2008

Sábias palavras, Mestre Juca!

Lembro-me muito bem da noite do dia 06 de Fevereiro, quando o Palmeiras perdeu por 3 X 0 do Guaratinguetá, numa partida em que jogou mais que o adversário. Naquela noite, o goleiro Marcos (que voltava ao gol do Palmeiras) tocou as mãos na bola somente aos 22 minutos do primeiro tempo. Até então ele mal havia aparecido no vídeo. Logo depois o Guará marcou de pênalti, numa falta cometida pelo Pierre. Minutos depois o Guará fazia o segundo, numa falta na entrada da área e contando com uma falha do Marcão que ficou com o pé de apoio preso no gramado. Acontece. O Palmeiras jogava muito mais bola.

Após o jogo, Luxemburgo aparentava tranquilidade e dizia-se satisfeito com o desempenho do time. Era justo. Qualquer cidadão com noções razoáveis de futebol perceberia a evolução da equipe e entenderia o seu potencial. Até mesmo a exigente torcida do Palmeiras notava que a equipe seguia evoluindo, apesar da derrota.

Mas sempre tem aqueles que não conseguem enxergar uma bola de futebol a um metro da própria fuça. E o pior: alguns vários deles são pagos para falar e escrever bobagens, que é o caso do "Mestre" Juca Kfouri.

Naquela noite eu salvei o texto que ele publicou em seu blog porque me pareceu que seria de grande valia para comprovar minha opinião sobre sua limitada capacidade opinativa como jornalista esportivo. Desconsidere o abuso de vírgulas. O jornalista Juca Kfouri costuma escrever desse jeito mesmo. Abaixo o texto na íntegra:

GUARATINGUETÁ ARRASA O PALMEIRAS

O Palmeiras mandava no jogo em Rio Preto, criara pelo menos quatro boas chances de gol até que, aos 26 minutos, no primeiro ataque do líder Guaratinguetá, Pierre derrubou Dinei na área e Michel abriu o placar.

O Palmeiras não se desesperou e seguiu mandando no jogo, mas, aos 37, Alê bateu falta, também cometida por Pierre.

O goleiro Marcos, que voltava depois de 11 meses ausente, parece ter prendido o pé de apoio ao tentar a defesa e sofreu o segundo gol.

Aí ficou duro, ficou duríssimo.

E bote duro nisso.

Tanto que o Palmeiras pouco conseguiu para ameaçar uma virada.

E quando conseguia, encontrava uma barreira no goleiro Fábio Santos, com 2 metros de altura, Lenny que o diga.

E como desgraça pouca é bobagem, o Guaratinguetá ainda fez 3 x 0, aos 36, outra vez com Michel.

Resultado: o Palmeiras caminha a passos largos para seu 13o. ano de fila no Campeonato Paulista e, conforme os resultados desta quinta-feira, pode ir para a zona de rebaixamento.

E o Guaratinguetá conseguiu sua sexta vitória seguida, apenas uma derrota, na estréia, para o São Paulo.

O início do texto está OK. Sinal que ele assistiu a partida e a TV de sua casa não apresenta nenhum problema grave de imagem. Qualquer criança alfabetizada seria capaz de escrever a mesma coisa. O problema é quando ele decide "pensar" e resumir o fato. Vejam: na sexta rodada do campeonato Juca Kfouri condenava quase que de forma irremediável (...a passos largos...") a campanha do Palmeiras.

Pode ser que não seja a equipe campeã paulista e até fique na fila por mais um ano, mas a falta de capacidade deste jornalista para opinar com alguma coerência é espantosa.

E o mais triste é que alguns lêem, ouvem e acreditam.