quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vamos reformar o Morumbi? Aqui, ó!

Tá "divertida" essa agitação toda em cima da reforma e a pseudo-valorização do Estádio do Morumbi com vistas à Copa do Mundo de 2014.


Viabilizar o projeto virou uma espécie de questão de honra para a direção tricolor. Eles querem porque querem a abertura da Copa em seus domínios e desandam a falar e fazer bobagens com o risco, inclusive, dessa cagada toda arder no meu e no seu bolso.



Outro dia, durante um jantar em São Paulo, ouvi de uma pessoa muito ligada ao (pra não dizer "do") conselho tricolor, que a obra para a construção de um estacionamento com capacidade para cerca de 3 mil vagas através de insvestimentos privados é, definitivamente, inviável. Se algum maluco acreditar e enfiar dinheiro ali não terá notícias deles antes da Copa de 2120. A única opção para tentar salvar a operação de um estacionamento deste tamanho seria utilizá-lo como opção para aqueles que deixarão seus carros na futura estação de Metrô que será construída nas proximidades do estádio. Ainda assim, o Metrô consumiria uma média de 500 vagas dia. O outro problema é que a tal estação ficará a quase 1,5 km do estádio. A conta não fecha.



Se tá difícil arrumar dinheiro privado (como quer a FIFA), de onde virá a fortuna necessária para erguer estacionamento, adquirir terrenos para as áreas de hospitalidade (duvido que colocarão abaixo parte da área social do clube), além das reformas estruturais do estádio? A FIFA exige que área para alocação dos equipamentos de transmissão (TV Compound) esteja a 100 metros do estádio. Onde cazzo?


Devemos lembrar que para a FIFA o aparato de transmissão e conforto das equipes, centro de mídia, etc. devem receber atenção ainda maior do que os próprios patrocinadores do evento. Estamos falando dos caras que representam os olhos do planeta. Inclusive para os próprios patrocinadores. Asseguro que o "Seu" Coca-Cola prefere ver sua marca brilhando nas transmissões do que sentar na tribuna de honra para ver Espanha X Estados Unidos. E a FIFA também.


Primeiro o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, declarou que as obras (todas!) custariam alguma coisa próxima a 150 milhões de reais. Só pode ser piada. Depois recuou dizendo que o montante necessário ultrapassaria essa quantia (porra, e muito!) e, mais recentemente, disse que sem o dinheiro do BNDES as obras não saem.



OPA! Peraí, cacete.



Reformar o Morumbi com o MEU dinheiro é o caralho! Até onde sei (posso estar errado) o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) foi criado para financiar empreendimentos e negócios que contribuam para o desenvolvimento do Brasil. Onde a reforma do Morumbi entra nessa história?



Então a idéia é torrar 300 e muitos milhões de dinheiro público para reformar o Estádio do São Paulo? Ah, tá.





E a área necessária em torno do estádio, de onde virá? A Prefeitura de São Paulo irá ceder os terrenos para o clube? Só pra saber...



Apesar da história do São Paulo estar recheada de passagens fraudulentas (ou, no mínimo, muito suspeitas), principalmente durante o Governo Laudo Natel, os tempos são outros e não convém ao Juvenal Juvêncio seguir os péssimos exemplos de seus antecessores.



Já está definido que o palco da final da Copa do Mundo de 2014 será o velho-novo Maracanã. A briga pela abertura continua aberta. O São Paulo corre contra o tempo e atrás de grana para levar o jogo inaugural para o Morumbi. Até uma academia de ginástica com vista para o gramado (legal, dá pra ver a equipe de trabalho aparando a grama uma vez por semana) eles arrumaram como forma de "valorizar" seu patrimônio (mesmo sabendo que o impacto desta notícia para os auditores da FIFA é igual a zero).



Particularmente acho que a abertura da Copa em SP está subindo no telhado. Duvido que vá pra BH, já que a cidade tem problemas com leitos disponíveis na rede hoteleira. A abertura da Copa atrai sempre mais atenção do que a final, já que os torcedores de (quase) todos os países envolvidos estão com suas esperanças elevadas ao grau máximo. À medida que a Copa avança, a Copa vai se tornando menos interessante para a maior parte da audiência mundial. Acredito em Brasília, capital do Governo Federal.



A temporada de picaretagem, politicagem, manobras e acordos suspeitos está mais do que bombando.



Só não venham mexer no meu dinheiro para reformar o estádio do São Paulo.

Aqui, ó!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Na ilha de Caras...


O assunto já nem é novo, mas vou tocar nesta ferida outra vez.

Aquela história do Vanderlei Luxemburgo virar comentarista da TV Globo, e num jogo do seu time (!!), pode ser considerada a cagada do ano. Para ele e para o time que ele comanda (ou comandava?). Um absurdo.

Em qualquer profissão, como na vida, existe uma coisa muito perigosa que se chama "excesso de confiança". Quando você está aprendendo a dirigir, dificilmente vai errar uma mudança de marchas, um movimento da embreagem, vai descuidar de olhar o retrovisor. Isso, até você achar que virou o maior motorista do mundo. Aí começa a encrenca.

O Luxemburgo colocou-se acima do bem e do mal. Seu histórico de resultados o credencia como um dos melhores técnicos do Brasil, o que não faz dele imbatível, genial e dono definitivo da verdade. Aliás, uma das coisas que mais incomoda o Luxa é o sucesso repetido de um discreto (e mal-humorado) Muricy Ramalho. A vontade de quebrar a sequência de títulos do técnico tricolor, tem provocado atitudes tão estabanadas do técnico verde, quanto aquela do goleiro Marcos que, sentindo-se culpado pelo gol do Grêmio, resolveu virar atacante. Tudo para evitar as declarações infelizes do Luxa ao final do jogo. Algo que já havia acontecido uma semana antes, criando mais encrenca interna no Parque Antártica.

Luxemburgo até que não teve uma passagem ruim pelo Real Madrid, como insistem seus desafetos (e bota desafeto nisso), mas uma postura auto suficiente e arrogante do treinador, criou problemas com o elenco galáctico dos merengues. Resultado: demissão.

No Palmeiras, acontece a mesma coisa, em uma escala diferente. Grosseria e arrogância, provocando um racha interno, entre os que o apoiam e os que querem ver o técnico pelas costas. Ele se acha o dono do time. Quiçá do clube! Dá ordens, define o que quer e do jeito que quer, diminui um dos maiores ídolos recentes do Palestra, em público, fazendo questão de mostrar quem manda. Resolve que não vai acompanhar seu time em uma partida internacional, e não vai. Resolve que vai comentar este mesmo jogo para a TV, e vai! Não há presidente, diretor de futebol ou Traffic que o demova da idéia. Faz tudo isso batendo no peito, na certeza de que sua genialidade fará tudo acontecer! Mas não está acontecendo... É empregado do clube (ainda que via investidores), e precisa colocar-se em seu lugar.

Nas coletivas, adora dizer que fez "este curso", fez "aquele curso", estudou sei-lá-o-que, faz citações pseudo-filosóficas e desmerece a todos os repórteres (menos os da Globo, colegas que são). Pára com isso Vanderlei. Botou a bunda na janela, agora aguenta as consequências. Incluindo as torcidas organizadas. São criminosos, sim, mas o modo de operar desta turma (ou turba?) é velho conhecido do Luxa. Mesmo a reação dele, de querer sair no tapa com os caras, deixa claro que ele  perdeu o limite, assim como perdeu o Campeonato Brasileiro...

"Éééé amiiiigo", como diria o Galvão (colega de TV de Luxemburgo). Bons tempos em que o técnico do Palmeiras estava concentrado em trabalhar duro, trabalhar sério para mostrar que era competente, ao invés de virar celebridade e querer se colocar no Olimpo do futebol, e como Zeus!! Enquanto isso, o Muricy vai mostrando quem é o cara. E parece que vai acabar na Seleção Brasileira, no lugar que já estava designado para... o Luxemburgo.

HELENO DE FREITAS

domingo, 16 de novembro de 2008

Peraí...

Cheguei a ler em alguns blogs pessoas tentando, de alguma forma, justificar o incidente envolvendo a facção Mancha Verde e a delegação do Palmeiras, mais especificamente o técnico Vanderlei Luxemburgo. Não há justificativa pra isso. Nenhuma.

O protesto é uma coisa legítima? Sim, é. Mas aquele não me parece o local (não vou nem considerar o momento) mais apropriado para um protesto. Ir atrás do elenco no aeroporto é intimidação. Coisa de bandido. 

Se estivessem protestando nas arquibancadas, ok. Mas passou bem longe disso.

"Ah, mas o Vanderlei Luxemburgo partiu pra cima deles". Você, eu, nossos amigos, fariam a mesma merda. Então você começa a ser cercado por um bando de maloqueiros-desocupados fora do ambiente de trabalho e não vai fazer nada? 

"Ah, mas o Vanderlei Luxemburgo ganha 500 paus por mês". E daí? Isso é problema da diretoria, de quem contratou. Se não concordam, que não gastem seu dinheiro no estádio. O cara ganha 500 paus por mês e o torcedor vai tirar satisfação com ele? 

Só pra entender: quando o sujeito pede uma pizza  e ela chega revirada em casa, o certo é falar para o entregador que ele ganha 450 reais por mês e deveria fazer o trabalho direito ou reclamar na pizzaria? 

Os valores salariais são distantes, mas a situação é a mesma. Rigorosamente a mesma.

Ambos recebem para fazer o trabalho bem feito. Se o Luxemburgo ganhasse 5 mil por mês não teria direito de esculhambar o trabalho. Se o entregador de pizza recebesse 20 mil para levar a pizza até a sua casa, teria que fazer direito do mesmo jeito. Não concorda, reclame com o empregador.

Tá certo que o Luxa não deveria ter passado uma noite ao lado do Cléber Machado comentando seu time pela TV. Deu mole. Mas nada justifica essa intimidação. Talvez ele tenha faltado a um churrasco na sede da torcida ou a um ensaio para o Carnaval, vai saber...

Os bandidos alegam que foram até lá para dar uma força para o elenco. Sei. De novo: faça isso das arquibancadas. Que porra de mania é essa que as organizadas têm? Para dar uma força precisa falar pessoalmente com comissão técnica e elenco? Mais uma vez: intimidação. Nada além disso. 

Esses caras (ainda) existem porque a justiça brasileira é frouxa. 

Esses caras (ainda) entram no Parque Antártica porque a diretoria do Palmeiras é bunda-mole.

Torcidas (ditas) organizadas não representam, em nenhum clube, os torcedores de bem. Aqueles que vão aos estádios porque amam apenas seus clubes.

O dia que essa gente for, de verdade, banida do futebol, vamos começar a sonhar com alguma coisa parecida com organização.

Por ora, não dá.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Depois dessa...














Dois fatos relacionados à R34 do Brasileirão reforçaram o que eu já havia dito alguns posts atrás: NÃO ACREDITO NA DECÊNCIA DO FUTEBOL BRASILEIRO.

O primeiro, e mais escandaloso, foi o assalto a que foi submetido o Botafogo frente ao Flamengo. Tá certo que o carioca, infelizmente, está acostumado a conviver com esse tipo de delito. Mas não precisa ser na frente de tanta gente. O Montenegro destemperou de vez: acusou o Flamengo de estar envolvido numa espécie de máfia junto com a CBF. Perdeu a cabeça. Isso não é coisa de se falar em público, apesar de estar certo. O Flamengo sacaneou o Botafogo arrancando-lhe o mando de campo. O árbitro Marcelo de Lima Henrique apenas completou o serviço no Maracanã.

O segundo fato lamentável foi a ausência de Diego Souza do Palmeiras no jogo contra o Grêmio. Ele foi suspenso por um lance no jogo contra o Cruzeiro (que aconteceu lá no dia 14 de Setembro), sem ter sequer levando cartão amarelo no lance da partida e mesmo após ter sido absolvido num julgamento anterior. Entendeu? Isso significa que um promotor (a mando de alguém, claro) denunciou o atleta porque achou que o juiz deveria ter punido. Absurdo, mas OK. Ele foi absolvido em julgamento. Não contente, o promotor (o mandante deve ter enchido o saco dele) foi lá e denunciou de novo! Aí deu certo e ele foi suspenso. E pau no rabo do torcedor.

Agora, pense bem: se fazem isso com o futebol, que é o assunto mais importante do país, transmitido ao vivo em canal aberto pela principal emissora do Brasil, duas vezes por semana em horário nobre, imaginem o que fazem na política, que ninguém tá se lixando, não passa em nenhum canal decente e onde tudo é resolvido a portas fechadas...
É, amigo, melhor jogar o seu video-game. Pelo menos lá quem rouba é você mesmo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Porco e a Joaninha

Não, o título deste post não é uma fábula dos irmãos Grimm. Mas poderia ser.

Era uma vez uma Joaninha, que nasceu vermelha porque era simpática à causa comunista, ainda no final do século 19. Nos anos 30 mudou de nome e seguiu. A Joaninha não era muito relevante, mas abrigou em seu ninho formiguinhas de nomes Maradona, Riquelme e Sorin. Chegou a ser a maior Joaninha da América do Sul, ganhando a Libertadores de 1985. E foi só. Ocupa a décima-sétima posição no campeonato local, e vê na briga com um Porco, a sua chance de redenção em 2008.

Já o Porco é um animal muito mais relevante, de história mais relevante e que ocupa a vice-liderança do campeonato local, muito mais disputado do que o da Joaninha. As cores verde e branco do Porco costumam meter medo em animais diversos, e não seria diferente com a Joaninha. Também mudou de nome, nos anos 40, por causa da II Guerra, e seguiu. No último encontro entre os dois, o pau quebrou!! E ficou a promessa da Joaninha de quebrar o Porco, já que agora joga em casa. 

O Porco está focado em outra batalha, e não levou nem o "dono" do chiqueiro para Buenos Aires, a casa da Joaninha. Mas perder não está nos planos dos porquinhos que foram defender as cores verde e branco. O Porco precisa atropelar os "bichos colorados" para seguir vivo na competição sul-americana. Menos que isso, a Joaninha seguirá em frente.

Nesta quarta-feira, o bicho vai pegar. E só um bicho segue até o final da fábula.

HELENO DE FREITAS

Enrolados no tapetão


Cada vez mais fala-se nos comissários, juízes e tribunais, ao invés de falarmos dos lances e das demonstrações de talento de atletas e competidores, nas mais diversas categorias do esporte.

Bateu-se muita boca por conta das punições absurdas na Fórmula 1 deste ano (quase sempre contra o Hamilton), penas abusivas a atletas no Brasileirão (assunto já abordado aqui no "Ninho"), quase sempre contra jogadores e técnicos de grandes clubes, por causa das dezenas de câmeras que acompanham os jogos destes times, e juízes que expulsam de forma absurda, apenas para "controlar" o jogo. E azar de quem pagou ingresso! 

Levantam-se dúvidas sobre a lisura das decisões, estas tomadas em uma sala com ar-condicionado e por um monte de senhores engravatados, e não no calor de um jogo (onde podemos "perdoar" um "erro" do juiz). Hoje aconteceram dois fatos que levantam mais poeira sobre este assunto: os tribunais!!

Em Anfield Road, Inglaterra, pela Liga dos Campeões jogavam Atlético de Madrid e Liverpool, e o time espanhol vencia por 1 a 0. Nos acréscimos do segundo tempo, numa jogada completamente normal entre Pernía e Gerrard, o árbitro achou...um pênalti!!!! Ninguém entendeu nada. Nem o pessoal do Liverpool, que ficou olhando meio sem jeito. Como Gerrard não tem nada a ver com o erro grosseiro de um juiz sueco, foi lá, bateu e empatou o jogo. O que esse jogo tem a ver com o assunto do post? Fácil.

O Atlético de Madrid na semana passada, levou a UEFA, entidade máxima do futebol europeu e "dona" da Champions League, ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), por não concordar com uma punição imposta pela UEFA ao clube madrilenho, por conta de uma confusão no jogo da mesma "Champions" contra o Olimpique de Marselha. O pau quebrou no tapetão, e a briga acabou em um pênalti inexistente e que prejudicou o Atlético, que com a vitória sairia de Anfield classificado para a próxima fase da competição. Vingança triste.

O segundo fato foi aqui no Brasil, mesmo, e envolveu dois clubes que ocupam posições opostas no coração da CBF e nos tribunais do esporte. Flamengo e Botafogo. 

Como o Flamengo empatou com a Portuguesa, e praticamente deu adeus ao título do Brasileiro, e como a próxima partida (contra o Botafogo) pode manter as chances "matemágicas" do rubro-negro carioca, a CBF resolveu transferir o jogo entre os dois clubes, que seria no Engenhão, estádio do Botafogo, e eleito um dos dez melhores do mundo(!), para o Maracanã, tido como a casa do Flamengo. A desculpa? O Engenhão não reúne condições de segurança para a realização de um clássico deste porte!! Sensacional!!

O estádio abrigou jogos do Panamericano do Rio (foi construído para isso), teve jogo da Seleção Brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo, abrigou clássicos do Botafogo contra Vasco e Fluminense e, pasmem, um clássico entre Flamengo e Vasco (!), as duas maiores torcidas do Rio!!! Mas agora, na semana do jogo, e ante a necessidade desesperada do Fla se manter na briga pelo título, o jogo migrou pro Maracanã. O Botafogo entrou com um recurso no STJD, e perdeu! Parece que a falta de prestígio vai além dos tribunais regionais, embora o STJD seja no... no... no.. RIO!!!! 

O Botafogo vendeu cadeiras antecipadamente, áreas especiais para patrocinadores e demais ações de marketing em seu estádio, para tentar salvar as combalidas finanças de seu futebol, e vê seus interesses serem atropelados pela política, pelo acerto, pelos tribunais.

Vivemos num tempo onde o piloto de Fórmula 1 não pode ser agressivo!!! Se frear tarde, é perigoso, e é punido. Se você age contra algo que entende como injusto, é roubado. Se seu adversário precisar de uma mãozinha dos tribunais e dos juízes, azar o seu. 

Mas nunca, em tempo algum, estes senhores serão maiores do que um gênio do esporte. Quer um exemplo? Responda rápido: quem roubou descaradamente uma vitória brilhante do brasileiro Ayrton Senna, no Japão, em 1989? Tem que pensar? Então me diga quem foi o piloto favorecido pela roubalheira? Viu, os gênios sobrevivem, já os tribunais...

HELENO DE FREITAS


domingo, 2 de novembro de 2008

O melhor do Rio. Que legal...


Na última quarta-feira, em jogo no Engenhão, em pleno Rio de Janeiro, o Botafogo foi descaradamente prejudicado. Ou melhor, o São Paulo foi descaradamente favorecido. Um gol legítimo foi anulado e deu a vitória ao tricolor paulista. Prestígio é isso. Na dúvida? Favorecemos o de maior prestígio. Isso vale em qualquer esporte, isso vale na vida. Pelo menos o Brasileirão fica mais divertido, e o Botafogo, um pouco mais "sem". "Sem" título, "sem" time, "sem" salários e "sem" moral.

Na briga seguem o mesmo São Paulo (que ninguém imaginava), o Grêmio (não acredito), o Cruzeiro (sério candidato) e o Palmeiras (vale pelo Luxa). O Flamengo contenta-se em ser, segundo seu técnico Caio Júnior, "o melhor do Rio"!! Como se isso fosse alguma coisa! 

Nenhum time do Rio ganha um Brasileirão desde 1997. O último foi o Vasco. Antes que os vascaínos falem no título de 2000, a CBF não reconhece a Copa João Havelange como sendo um Campeonato Brasileiro. A se levar isso em consideração, em 20 anos foram 4 títulos de cariocas!! Ridículo!! Flamengo em 1992, Botafogo em 1995 e o Vasco em 1989 e 1997. No mesmo período de 20 anos, o futebol paulista venceu 11 vezes!! Quatro do Corinthians, três do São Paulo, dois de Palmeiras e Santos. Reflexo da relevância econômica e social do mais importante estado brasileiro.  

Para coroar este desempenho, dois gigantes do Rio fazem, hoje, um clássico de vida ou morte. Podendo ser de morte e morte. Vasco e Fluminense tentam fugir da zona de rebaixamento, e da segundona em 2009. Imagine só... metade dos grandes do Rio jogando a segunda divisão! Se além destes pudesse cair também o Botafogo, o Flamengo começaria o Brasileirão do ano que vem com sua meta alcançada! Ser o melhor do Rio!! Que tristeza.

HELENO DE FREITAS

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cala a boca Márcio Braga!

Como diz o ditado, "em boca fechada não entra mosca". Mas o melhor é o que não sai de lá. Quanta besteira.


O presidente de clube que tem a cara do Clodovil, Márcio Braga, do Flamengo, costuma falar besteira e dificultar as coisas para o seu time (motivando o adversário), além de dar milhares de motivos para  a torcida rubro-negra aguentar piadinhas depois. 

Na semana que passou o presidente declarou que "o time do Vasco é muito fraquinho". Isso, dois dias antes do clássico envolvendo o time da colina e o Fla. Foi repreendido até pelo Caio Junior, técnico do clube, e por centenas de torcedores. Isso só agita o adversário, motiva até os times "fraquinhos", como de fato o Vasco é. Márcio correu e desmentiu. Disse que não falou nada daquilo, que o Vasco merece respeito, e tal... Bastou ganhar por um a zero (gol contra) e ele voltou a atacar: " Eu não disse!!! O time é fraco, mas se precisar de ajuda para não ser rebaixado, conte comigo!". É Mole?

Mas o histórico do cara é rico neste quesito. Em 2004, antes da final da Copa do Brasil contra o Sto. André, no Maracanã, ele acabou com o time paulista, falou besteira até não querer mais. Resultado: Sto. André campeão, diante de um Maraca lotado e boquiaberto.

No Brasileirão de 2005, antes de um Flamengo e Corinthians,  o falastrão disse que não sabia quem era Tevez, mas que o Tevez tinha de saber quem era o Flamengo. Resultado: vitória do Corinthians e show do Carlitos, que depois disse "Ahora él sabe quem és Tevez". Outro mico, e de novo a torcida tem que ouvir as piadinhas. Fecha a boca presidente.

Já sabe da penúltima do Márcio Braga? Pois na semana retrasada ele disse que o Flamengo já estava organizando a festa do Hexa!! Por partes. A CBF reconhece o tetra campeonato brasileiro do Flamengo. Penta é só o São Paulo. E pra piorar, o Flamengo foi humilhado pelo Atlético MG, em pleno Maracanã. Três a zero. E a torcida gritava: "Cala a boca Márcio Braga!".

O cara é macaco velho (e bote velho nisso), e não aprendeu que em boca fechada não entra mosca? E não sai merda?! Cala a boca Márcio Braga, e ajude o Flamengo.

HELENO DE FREITAS

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E o Don Vito Corleone dos pobres, falou de novo...

Recado (ou ameaça) de Eurico Miranda para Roberto Dinamite, em entrevista à Rádio Bandeirantes:

"Pense muito no que você está fazendo com o Vasco, porque você não vai sair impune disso. Garanto que, nem que seja a última coisa que venha a fazer na minha vida, se o Vasco cair para a segunda divisão, eu vou acabar com você, com suas vidas política e particular. Você só merece isso. Estou dizendo isso com todas as letras. Faça o diabo para impedir que o Vasco seja rebaixado. Pode continuar fazendo suas lambanças, a sua auditoria, mas não deixe o Vasco cair. Se o Vasco for pra segunda divisão, eu vou acabar com você".

Nem vale a pena discutir uma declaração patética como esta. Isso apenas reforça a minha tese: Não acredito na decência do futebol brasileiro.

Não acredito na decência do futebol brasileiro.

Tem algumas coisas que eu tento, tento, mas não consigo entender. Às vezes acho que, no fundo, nem quero entender mesmo.

Quem está acostumado a acompanhar as notícias relacionadas ao futebol brasileiro (e seu lúgubre submundo) já não aguenta mais tanto papo, tanta discussão sobre o TJD (Tribunal de Justiça Desportiva). Esse é o órgão responsável pela correta aplicação da legislação desportiva em cada Estado brasileiro. Acima dos TJD's está o STJD (o Supremo), órgão máximo da justiça desportiva brasileira. Como o Campeonato Brasileiro de Futebol é nacional, as questões relativas à justiça desportiva, dentro deste torneio, vão diretamente para o STJD e não para um órgão estadual.

Agora qualquer cagada que se faça dentro de campo é motivo para um bando de senhores desocupados (sim, porque ir ao tribunal para julgar se foi certo ou errado alguém beliscar a bunda do adversário, é coisa pra desocupado) tirarem o pijama, vestirem o "manto da justiça" e ganharem 2 horas (mais meia-dúzia de cervejas) longe de suas esposas às segundas-feiras.

Quem entra pelo cano? Na prática, os times que têm seus jogos transmitidos pela TV Globo. E só. Porque o que vai parar na "Sala Da Justiça" são os replays flagrados por uma das 40 câmeras espalhadas nos jogos de maior importância. Se sou eu o técnico da Portuguesa, por exemplo, num jogo contra o Ipatinga, autorizo tudo o o não for ostensivo dentro de campo. Basta o juiz não ver. Foda-se! Já que tem meia-dúzia de câmeras em campo, pode esculhambar.

Como só os times grandes merecem todo esse carinho da TV Globo (como é óbvio), só eles entram no prejuízo. Ué, mas a justiça não é pra todos? E o árbitro? Está lá pra fazer o quê? Porque esses senhores fazem tanta questão de aplicar a justiça, independentemente da observância dos árbitros? O STJD deveria entrar em campo para julgar uma batalha campal, grandes confusões, problemas sérios em escala "macro". Ah, mas aquela cervejinha depois da audiência...

E o que mais me incomoda: porque as cagadas (e olha que não são poucas) dos juízes não são julgadas com o mesmo rigor? Ou seja: após uma partida pode-se julgar a intenção de um atleta, mas não se pode contestar as falhas do árbitro. Esse pode tudo! Fique à vontade para não marcar pênaltis, inverter faltas, expulsar jogadores só porque acha "que deve". Ninguém julga mesmo.

Veja o que o Sálvio Espínola fez no jogo entre Palmeiras e São Paulo. Tirou do jogo (e da partida seguinte) os jogadores Diego Souza (Palmeiras) e Borges (São Paulo), sem que nada de relevante tivesse acontecido. O incidente não passou de um empurrãozinho idiota no círculo central. No máximo (máximo!) valeria um cartão amarelo para cada atleta. Mas para não perder o controle do jogo o que ele fez? Puniu "por hipótese". Botou os dois pra fora com 8 minutos de jogo. OITO! Bem, se o árbitro brasileiro cotado para a próxima Copa do Mundo, que é PAGO para comandar partidas de futebol, precisa expulsar atletas para demonstrar autoridade, veja então qual é o nível da nossa arbitragem.

Seria o caso de representantes de Palmeiras e São Paulo irem ao STJD com as imagens da partida e pedir a anulação da suspensão. Caraca: dois jogadores caros e importantes ficarão fora de jogos decisivos porque o juiz era um frouxo?

Mas como punir árbitro não ajuda ninguém, não interessa.