segunda-feira, 31 de março de 2008

Erraram no final. E feio!

Não sou nenhum especialista em marketing, mas essa história do terceiro uniforme do Corinthians, que traz a camisa roxa, está virando um case.

Seja lá quem teve a idéia, acertou. Na Europa esse tipo de ação é praticada há bastante tempo e com sucesso. Todos os grandes clubes europeus fazem dinheiro anualmente com uniformes alternativos ou comemorativos. Isso representa mais uma fonte de receita na linha de licenciados. E lá, ao contrário do que normalmente acontece por aqui, sabe-se ganhar dinheiro com produtos licenciados.

No Brasil, o mercado de licenciamentos na área esportiva é uma piada, se observarmos o potencial e a importância do esporte em nossa cultura. Como em qualquer mercado competitivo, é preciso haver profissionalismo. Não trabalho com futebol, mas estou certo que nas discussões sobre licenciamentos dentro dos clubes deve-se empregar boa parte do tempo negociando ganhos, porcentagens. Quanto "eu" vou ganhar com isso? 15%, 18%, 20%? Isso é detalhe! Só se ganha dinheiro se o torcedor for até a loja e comprar o produto. Simples! A primeira coisa a ser discutida num acordo envolvendo marcas e produtos é o que o licenciado fará, ou o quanto ele gastará em divulgação, esforço de vendas e distribuição. O royalty é importante, mas não pode ser o foco inicial. A capacidade de gerar vendas, sim. A Nike sabe disso.

No final de semana "roxo" estive em dois grandes shoppings de São Paulo e percebi que as vitrines de todas as principais lojas de esporte destacavam o novo uniforme. E com capricho, incluindo um fundo roxo, chamando bastante a atenção. Até minha esposa, corinthiana-não-praticante, demonstrou um certo interesse na novidade. As blitze nas lojas e a boa exposição, que incluiu até ações promocinais em rádios qualificadas, funcionaram.

Na página do Corinthians dentro do Globo.com, o tradicional fundo preto foi substituído pelo roxo, com direito a um pop-up destacando a camisa. A Nike tratou de abastecer as lojas com a sua tipologia oficial para que os torcedores pudessem personalizar suas camisas. Claro, se o foco é o "torcedor roxo", nada mais justo que ele estampasse seu nome na camisa. Trabalharam bem.

Obviamente que o grande momento, o ápice de toda essa ação, inédita na história do Corinthians e extremamente saudável para o futebol, seria a aparição do elenco titular no Morumbi e a estréia oficial da camisa roxa. E cagaram justamente na parte mais fácil. E não foi uma cagada só!

Confesso que não havia visto a entrada do Corinthians no gramado. Como peguei o jogo com bola rolando, busquei a imagem agora na internet, antes de escrever esse post, e não acreditei: a tal camisa roxa ficou azul! Posso estar até enganado, mas revi a imagem algumas vezes e, para mim, continua parecendo azul. Está disponível na página de vídeos do Globo.com.

Quem está acostumado a ver Fórmula 1, e já assistiu a prova ao vivo, irá concordar comigo:

As cores da famosa McLaren "caixinha de Marlboro" que consagrou Ayrton Senna, quando vistas ao vivo, eram claramente diferentes. O vermelho parecia quase rosa. Mas o resultado era perfeito na transmissão. O mesmo vale para o indefectível vermelho da Ferrari que, ao vivo, é um "vermelho-alaranjado". Isso acontece porque as cores variam um pouco quando são filmadas. Dependendo da luz, podem variar bastante! E as grandes empresas, aquelas que gastam milhões para cuidar da exposição de suas marcas, fazem testes diversos até que se chegue no resultado correto. O Palmeiras já teve problemas com o verde de sua camisa anos atrás, exatamente pelo mesmo descuido. Na NBA, por exemplo, as camisas que os torcedores compram nas lojas, mesmo sendo oficiais, não têm os mesmos matizes daquelas que são usadas nas quadras. Uma coisa é a exposição na loja. Outra é a exposição numa quadra estupidamente iluminada, com captação de imagens em alta qualidade.

Mas voltando ao gramado do Morumbi...

Os jogadores, nitidamente pouco à vontade com a camisa roxa, livraram-se dela tão logo entraram em campo. Pode-se dizer o que quiser, arrumar qualquer desculpa, mas aquilo não era o combinado. Não faz qualquer sentido. Está claro que a pressão da principal torcida organizada do Corinthians, venceu o planejamento. Jogar a camisa para a torcida soou como um golpe nos torcedores que gastaram dinheiro e queriam ver a novidade em campo. Foi o chamado "truque". E quem, agora, irá até a loja para gastar seu dinheiro numa camisa que nem o clube está convecido a usar? Quanto vai se perder com isso?

O Departamento de Marketing do Corinthians deve estar feliz da vida com o presidente Andrés Sanchez. O da Nike então...

Fizeram (quase) tudo certo. Só esqueceram de pedir a autorização para a Gaviões...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Nada como um dia após o outro


Tem coisas que nem precisa esperar muito. Na final da Taça Guanabara o Botafogo foi, alegadamente, prejudicado pela arbitragem. Acho até que foi, mesmo. Só não sei se foi má-fé, como disseram os dirigentes do alvinegro carioca. Muita choradeira e sete vitórias depois (o Botafogo venceu todos os jogos desde a tal final), eis que o Botafogo foi flagrantemente beneficiado pela arbitragem.


Ontem, em um jogo muito chato entre um time classificado para as semi-finais e um time quase rebaixado, o Botafogo venceu o famoso Cardoso Moreira pelo placar de 1 a 0... com um gol descaradamente irregular. Wellington Paulista marcou em impedimento escandaloso. Ao final do jogo, não vi ninguém do Botafogo se desculpar com o adversário, agradecendo ao juiz ou pedindo anulação da partida. Normal. Futebol é assim, mesmo. Como já disse em outro post, à parte alguns casos conhecidos (outros, nem tanto), tornou-se quase impossível um jogo transcorrer sem equívocos de arbitragem. Falo de equívocos, e não de bandidagem. Ora a favor, ora contra.


Agora, além de torcer pelo seu time, você precisa torcer para que o erro seja a favor do seu clube do coração. Tá fácil.


PS- fui quase que obrigado pela torcida do Flamengo a escrever sobre isso.... Eu mereço.


HELENO DE FREITAS

terça-feira, 25 de março de 2008

OS GRINGOS NO BRASIL

O assunto do momento no futebol brasileiro tem sido, em todas as rodas, a presença dos gringos e a importação de craques no futebol brasileiro.

Nos últimos tempos os gringos têm invadido (no bom sentido) o futebol brasileiro, vestindo a camisa de grandes clubes e se destacando, por vários motivos; entre eles cito o fortalecimento da nossa moeda ante as outras da américa do sul e o exôdo precoce dos talentos brasileiros para o exterior. Para citar alguns casos relevantes recentes, podemos citar Tevez, Conca, Valdivia, Pereya, Maldonado, Arce, Gamarra, Rincon, Asprilla, etc.

Mas se engana quem pensa ser este um fenômeno recente. Há muito tempo os times brasileiros importam craques dos vizinhos e eles figuram nas lembranças dos mais antigos e saudosistas torcedores brasileiros.

Com base nisso, como sou palmeirense, decidi remexer nos arquivos e montar o melhor "PALMEIRAS GRINGO" de todos os tempos; quem foram os melhores gringos que jogaram no Palmeiras em cada posição, já que o clube sempre a tradição de ter gringos nas suas fileiras. E, pasmem, consegui montar um time que seria uma verdadeira máquina de jogar futebol segundo os historiadores da bola.

Vamos ao escrete:
Goleiro: MAIDANA (URU) - atuou no verdão em 1968, titular durante boa parte da temporada, levantou o troféu de campeão de Robertão (campeonato brasileiro da época).
Lateral Direito: ARCE (PAR) - defendeu o Palmeiras na era Parmalat, entre 1998 e 2002, sendo um exímio batedor de faltas, levantando o título da Libertadores de 99, uma Mercosul, uma copa dos campeões e um RJ-SP
Zagueiro central: GAMARRA (PAR) - defendeu o Palmeiras no final da carreira, entre 2005 e 2006, sem levantar nenhum troféu, mas exibindo sua classe impecável que o levou a ser considerado o melhor do mundo na posição.
Quarto Zagueiro: LUIZ VILLA (ARG) - campeão da taça Rio de 1951 (mundial para os palestrinos), era "centromédio" na época, hoje quarto zagueiro.
Lateral Esquerdo: DIOGO (URU) - lateral direito de origem, acabou sendo improvidado na esquerda muitas vezes. Defendeu o Palmeiras na época das vacas magras entre 1984 e 1986, com muita raça e amor à camisa. Chegou a ser vice campeão paulista, mas a fase e o time do Palmeiras na época não o ajudaram.
Volante: MADURGA (ARG) - Campeão brasileiro em 1972 com a Academia de Oswaldo Brandão, é reverenciado pelos palmeirenses mais antigos. Era um meia atacante de origem, muitas vezes reucado a volante pelo mestre Brandão. (meu pai era fã dele!)
Segundo volante: RINCON (COL) - chegou ao Palmeiras em 1994 e ganhou tudo naquele ano; paulista, brasileiro, RJ-SP, sendo um meia de origem que foi recuado por Luxemburgo para se consagrar como segundo volante.
Meia armador: VILLADONIGA (URU) - estreou no Palestra em 1942 e se despediu no Palmeiras em 1946, com um bi paulista, um RJ-SP e consagrado como um ídolo eterno, era dono de uma técnica ímpar e frequentou o Palmeiras até a sua morte alguns anos atrás.
Ponta de lança: VALDÍVIA (CHI) - dispensa maiores apresentações. Chegou ao clube em 2006 e é ídolo com o nome já escrito na nossa história.
Centro avante: ARTIME (ARG) - veio do River Plate para o Verdão, onde jogou entre 1968 e 1969, assinalando 48 gols, levantando um Robertão. É reverenciado e apontado unanimente como o melhor gringo da posição em nossa história.
Segundo atacante: ECHEVARRIETA (ARG) - jogou no Palestra Itália de 1939 a 1942, participando da campanha denominda "arrancada heróica", quando o Palestra mudou de nome e virou Palmeiras, já levantando o super paulista de 1942 sobre o SPFC, que fugiu do gramado para não ser goleado.

Técnico: "DOM" FILPO NUNES (URU) - comandou a primeira academia alvi verde.

suplentes: "gato" Fernandes, Cesar, Dario Pereyra, Dacunto, Hector Silva e Gallardo

Vale ressaltar que nós palmeirenses não consideramos os italianos que defenderam o Palestra Itália como sendo "gringos". Eles têm "cidadania verde", são da casa e estão fora dessa lista.

E você? qual seria a escalação dos melhores gringos que defenderam seu time? concorda com o melhor Palmeiras gringo de todos os tempos?

Dê sua opinião e vamos resgatar a história desses sulamericanos que ajudaram nas glórias do nosso futebol.

Marcelo SV

segunda-feira, 24 de março de 2008

Os predestinados...


Confesso que não acredito muito em destino, aquela coisa fatalista, definitiva e contra a qual não há nada que você possa fazer. Mas também confesso que, às vezes, fico meio em dúvida.

Na semana passada tive o prazer de conhecer e conversar por longo tempo com um destes predestinados. João Roberto Basílio, o "Basílio" do Corinthians. Aquele, mesmo, que tirou o timão da fila de 22 anos, com um gol contra a Ponte Preta. O gol todo mundo já viu milhares de vezes, pela importância de ter tirado um grande clube da longa espera por um título, e depois pela dificuldade. Ô coisa chorada!!

Eram 36 minutos do segundo tempo do terceiro jogo da final Paulista de 1977. Sem desmerecer o Basílio, no campo estavam Zé Maria, Oscar, Carlos (goleiro né), Wladimir, Palhinha (todos eles jogadores da seleção brasileira), e a bola sobrou para o Basílio. Um a zero e o título tão esperado. Claro que falamos sobre isso em nossa conversa, mas falamos de muito mais. Uma pessoa educada, gentil e muito inteligente, fiquei impressionado com a classe do Basílio. Só para esclarecer a questão do "predestinado", o Basílio jogou 253 jogos pelo alvinegro paulistano e marcou apenas 29 gols! Um deles foi aquele. Pra sempre na história do Corinthians.

Quer outro exemplo? O recorde de partidas invictas no futebol brasileiro é de 52 jogos. Está dividido entre Botafogo (78/79) e Flamengo (79/80). Em pleno Maracanã o Botafogo perdeu e invencibilidade para o Gremio (RS) por 3 x 2, com dois gols de um cidadão chamado Renato Sá. Por sua atuação nesta partida, o jogador foi contratado pelo próprio Botafogo. Quis o destino que o Flamengo, após 52 partidas sem derrotas, jogasse com o próprio Botafogo! Resultado final: 1 x 0 para o Botafogo contra o Flamengo de Zico. Gol de quem? Isso...Renato Sá!!! O carrasco dos invictos desapareceu sem deixar rastro. Predestinado.

Poderia falar do Paolo Rossi, da selação italiana. Pouca gente lembra que ele jogou contra o Brasil na Copa do Mundo de 78 e perdeu. Ñao fez nada.... já o Nelinho! Quatro anos depois o Paolo Rossi eliminou uma das melhores seleções nacionais de todos os tempos (segundo a FIFA), com tres gols. Ficou marcado para sempre. Mais um predestinado.

Mas existem casos que reforçam a minha tese de que não existe destino. Vanderley Luxemburgo tirou o Palmeiras de uma fila de 16 anos sem títulos, montando um timaço em 1993. Foi bi-campeão paulista em 94, fora o bi Brasileiro. E lá se vão quase 9 anos sem títulos do verdão, e eis que o Luxa retorna. Após algumas partidas já ficou claro. Com um planejamento muito bem feito, altos investimentos e o talento incontestável do Vanderley, para mim o melhor técnico do país, o Palmeiras é o favorito ao título paulista. Isso não é fruto de coincidência, mas fruto de qualidade e talento, mesmo. Lá vai ele acabar com o jejum verde. E ainda vai ter gente dizendo que foi o destino...

HELENO DE FREITAS

sexta-feira, 21 de março de 2008

A esculhambação do Hino Nacional Brasileiro


Em São Paulo há uma lei que obriga a execução do Hino Nacional Brasileiro antes de eventos esportivos. Não sei de quem foi esse plano, mas seu mentor merece o Troféu Capim. 

Como não sei se o "Ovirundum" está sendo executado antes das competições de skate, bocha, judô, handball ou natação, simplesmente porque as vejo e também porque o assunto deste blog é futebol, vamos falar apenas do nosso querido esporte bretão.

Não sou atleta profissional, mas imagino que a interrupção do aquecimento em campo para a execução do Hino Nacional não deve ser algo lá tão agradável para os jogadores.

Como também não deve ser um prazer ter a câmera da TV enfiada em suas fuças enquanto fazem movimentos labiais que tentam se encaixar na letra do Hino. Constrangedor. Ainda no vestiário devem pensar: "lá vem o Hino encher o saco". 

Como enche o saco da torcida. Ouvir o Hino Nacional antes de uma final da campeonato ou de um jogo internacional é até emocionante. Mas ter que passar pelo Hino em tudo quanto é jogo, dá no saco. E os caras não aliviam: estão mandando o "Ouvirundum" de ponta a ponta! Não é aquele trechinho como fazem no pódio da Fórmula 1. Aí os jogadores não sabem se saem depois da primeira parte do Hino ou seguem perfilados. Antes do clássico Palmeiras e Corinthians, os atletas desistiram do Hino. Acabou a primeira parte, saíram pro tradicional aperto de mãos enquanto a "orquestra" entoava "Deitado eternamente em berço esplêndido..." Pa-té-ti-co. A culpa é de quem, já que a lei não prevê qualquer tipo de padrão.

A TV Globo, mais que uma vez, abriu a transmissão da partida após o Hino Nacional. Vale mais a pena esticar um pouquinho o Big Brother do que perder tempo com a execução do Hino. Claro. Aí, como a transmissão é aberta já quase com bola rolando, as escalações são exibidas abaixo da tela, fora do padrão habitual da emissora. 

Eu costumo aproveitar a execução do Hino Nacional Brasileiro pra encher o copo e dar uma rápida passada no banheiro. A lei banalizou nosso Hino.

E ninguém aprende a letra.

A justiça é pra todos? Todos são justos?

Sei que o assunto já encheu os colhões, mas quero dar mais uns pitacos nessa história de TJD. Sou contra essa quantidade absurda de julgamentos e essa choradeira sem fim na porta do tribunal. Pra que cazzo serve o árbitro em campo? Se o cidadão está lá e pago para fiscalizar, aplicar a lei e punir infratores, a coisa termina ali. Não viu, azar. 

Pergunta: caso, durante uma partida, a bola entrar por meio palmo e o árbitro não der o gol, o lance vai a tribunal? Muda o resultado da partida? Alguém é penalizado? Outra: no caso de um árbitro ofender um atleta e outros ouvirem, mesmo estes sendo testemunhas, o sujeito será julgado pelo TJD? É muito óbvio que não. Qual é o tipo de justiça que o TJD procura?

E essa justiça é para todos? De novo: não. Outro dia, um dos colunistas do Ninho observou o seguinte: 

Uma partida entre Rio Preto e Marília, por exemplo, deve ter 1/3 (se tanto!) das câmeras que entram em ação num clássico como São Paulo e Palmeiras ou Flamengo e Botafogo. Ou seja: se um atacante do Marília, por exemplo, desferir uma senhora cotovelada no rosto de um defensor do Rio Preto e lhe presentear com 10 pontos na fuça sem que o árbitro perceba, provavelmente não irá a julgamento. Simplesmente porque as câmeras não flagraram e, por isso mesmo, ninguém verá. 

Então, se o "longo braço da lei" não pode ser estendido a todos, que o recolham.

Curiosamente, reparem, todos os julgamentos estão relacionados a atletas dos times grandes. Gostaria de ver uma pesquisa que indicasse o clube de coração dos procuradores do TJD. Edison Zago, que denunciou o atacante Kléber do Palmeiras, por exemplo, é presidente do Conselho Fiscal do São Paulo.

A coluna Painel FC da Folha de São Paulo traz a informação de que, entre os cartolas da FPF, é dada como certa uma reformulação na entidade a partir do próximo semestre. E que o novo presidente do TJD será Ivanei Cayres de Souza, ex-vice jurídico do Corinthians. 

A rodada dos estaduais deste final de semana vai começar. Vamos ver quais serão os próximos a tomar um café na ante-sala do Tribunal de Justiça Desportiva. 


quarta-feira, 19 de março de 2008

Futebol é para macho ou para homem?


No último final de semana, vários clássicos agitaram os Campeonatos Estaduais por todo o Brasil. Dois deles, pela relevância dos Estados e dos Clubes envolvidos, mereceram maior destaque. Primeiro falou-se dos grandes jogos, muitos gols e das vitórias (veja post abaixo), e nos últimos dias o assunto girou em torno da violência. Violência covarde. É claro que estou falando de Palmeiras x São Paulo e Botafogo x Flamengo.


No jogo de Ribeirão Preto (que gramado é aquele?), com toda a chuva que caiu era de se esperar contatos mais ríspidos entre os jogadores, entretanto, a jogada que mais chamou a atenção foi a cotovelada de Kléber (do Palmeiras) em André Dias. O Léo Lima disse (claro, ela é do Palmeiras) que foi um movimento inocente do colega. Veja as imagens e não sobrará nenhuma dúvida. Foi uma cotovelada covarde, mesmo!! O que levou o Kléber a fazer aquilo não está em questão, mas o desfecho é absolutamente condenável. O André Dias está com pontos no rosto e o jogador do Palmeiras será julgado nos próximos dias, devendo ser suspenso. Prejuízo para o Palmeiras.


No Rio, depois da final da Taça Guanabara, criou-se um clima de animosidade muito acima do normal entre os times e as torcidas de Botafogo e Flamengo. É claro que isso foi fomentado e insuflado por cartolas e pela imprensa. Os mesmos cartolas e a mesma imprensa que se apressam em crucificar os jogadores (ainda que com razão). A exemplo do jogo anterior, o pau quebrou no domingo passado. Até pelo fato do Botafogo estar à frente no placar durante quase todo o tempo, o time do Flamengo bateu sem dó, embora o Botafogo tenha alguns gladiadores em seu elenco. Um dos jogadores do rubro-negro conseguiu ser moleque duas vezes na mesma partida. Falo do Toró, e falo moleque, mesmo!!


Primeiro, numa bola ao chão, ele combinou com o Túlio (do Botafogo) que a bola seria devolvida para o goleiro do Flamengo para reinício da partida interrompida. Assim que a bola caiu no chão e o Túlio se preparou para chutar, o Toró pega a bola e sai correndo em direção ao gol do Botafogo, para espanto de todos (até dos jogadores do Flamengo!). Resultado: Túlio agarra o moleque e recebe cartão amarelo. Na cobrança desta falta, gol do Flamengo. Bonito, não é? Mais ainda era pouco perto do que ainda viria.


Para finalizar a atuação, o mesmo Toró chutou covardemente a cabeça do goleiro do Botafogo (as imagens estão aí, mesmo) quando este estava com a bola no chão, após o segundo gol do Flamengo. Perguntado sobre a agressão absurda, ele respondeu: "Futebol é pra homem".


Concordo, futebol a pra homem. E não pra moleque! E isso é o que ele é. Covarde e moleque. Quer mais uma prova? Você ouviu dizer que um jogador do Flamengo foi expulso na semana passada em um jogo da Libertadores, no Uruguai, por ter agredido covardemente um gandula!!!!?? Adivinhe quem foi? Falou Toró? Acertou em cheio... Covarde e reincidente. Prejudicou o Flamengo em Montevidéu e vai prejudicar de novo, já que deve ser punido pela Justiça Desportiva (eu acho, né..).


A polêmica se espalhou e ouviu-se coisas chocantes. Muricy Ramalho disse que o futebol está mais chato por causa do uso de câmeras demais. Assim não dá nem pra dar um chutinho na cabeça do adversário, né Muricy? Celso Roth, técnico do Gremio e troglodita reconhecido, foi contra. Achou um absurdo. O Edmundo acha que se a briga ficar dentro de campo, tudo bem. Claro, as leis do país devem ser aplicadas apenas para fora das quatro linhas. Lá dentro, vale tudo!


Alegar que futebol é jogo de contato, é debochar da inteligência de todos. Tanto Kléber quanto Toró vieram com o mesmo argumento. Ora, contato é parte do jogo, como também o é no Basquete, no Rugby (muito mais) e no Hóckey (ainda mais..), mas isso não elimina o respeito profissional, respeito pelas leis do jogo e respeito pelo torcedor que pagou para ver um jogo de futebol. Para ver quebra-pau, é melhor pagar o Par-Per-View dos canais de luta. Para isso existem regras. E leis.


A inauguração da punição pós-jogo com o uso de imagens gravadas, e de forma exemplar, aconteceu na Copa de 94, com uma agressão covarde ao atacante espanhol Luis Henrique, no jogo Espanha x Itália. E eu faço votos de que se use muito mais. Para punir a cera, o anti-jogo (lembra do caso do Vampeta em 2007?), e principalmente a covardia!! Futebol é coisa pra homem, sim. Mas não é coisa pra covarde, para moleque, para marginal. Que agora ajam como homens, e assumam a merda que fizeram. Não me venham com esse papo de "estou a consciência tranquila", "não fiz nada"... Não é homem de assumir o que fez? Então não é homem para jogar futebol.
HELENO


domingo, 16 de março de 2008

Venceram os melhores. Com propriedade.

Domingão de clássicos em São Paulo e no Rio de Janeiro já é uma delícia. Quando há tabus em jogo, fica melhor ainda. Grande movimentação de público, camisas pelas ruas e até flashes ao vivo na TV bem no meio do filme "Um Tira Aloprado Muito Louco II" (ou coisa que o valha). Não existe nada mais importante num domingo brasileiro do que um grande clássico.

Pelo Campeonato Paulista, Palmeiras e São Paulo fizeram um jogo bastante movimentado no pântano de Ribeirão Preto. O tabu: o Verdão não vencia o São Paulo em um Campeonato Paulista há 11 anos.

No Campeonato Carioca, Botafogo e Flamengo fizeram um jogo igualmente movimentado no tapete do Maracanã. O tabu: o Bota não vencia o Flamengo há quatro anos.

Vou pular os comentários táticos e ir direto para o apito final: os dois tabus foram pulverizados com propriedade.

O Palmeiras mostrou disciplina, alguma técnica (jogando num charco, não dava pra fazer muito) e, mais uma vez, força mental para virar o placar e golear o São Paulo. Pelo lado do Tricolor, o destaque foi o Adriano que fez uma boa partida e anotou o seu. No time do Palmeiras o goleiro Marcos fechou o gol nos momentos difíceis e decisivos. Quem criticou quando Vanderlei Luxemburgo mandou o (ótimo) Diego Cavalieri para a reserva deve estar agora pensando o que dizer. Do outro lado Rogério Ceni, o campeão mundial de andiantamento de pênalti, teve três chances, mas não acertou nem o canto dos chutes de Denílson, Valdívia e Diego Souza. Três penalidades inquestionáveis aliás. No golaço de Kléber (tá jogando muito, aliás), Ceni fez o que pôde: nada.

O Botafogo entrou babando em campo e amassou o Flamengo. Claro que os Flamenguistas vão dizer que o time entrou em campo com um "mistão". Nessa hora não podemos esquecer que diversos clássicos já foram ganhos por "mistões", "expressinhos" e até reservas. Ou até mesmo por times que estavam em fases bastante ruins. Clássico é clássico. Com camisas e torcidas em campo, fica tudo zerado. Quem garante que o Botafogo não ganharia com maior facilidade do time titular?

O primeiro tempo foi uma surra. O Fogão desceu pro vestiário vencendo por 2 x 1, fora o pênalti não marcado no Jorge Henrique e graças à atitude bem pouco desportiva de Toró que não respeitou uma devolução que seria feita por Túlio ao campo do Flamengo, depois de uma paralização. Não fosse essa "roubada" de bola, o lance do pênalti a favor do Flamengo não teria existido. Na volta o Fogão continuou bem, fez mais um logo aos sete minutos e, apesar do segundo gol do Flamengo, foi melhor o tempo inteiro.

Em São Paulo, o superintendente de futebol do tricolor Marco Aurélio Cunha, chiou: "Tudo é contra o São Paulo. Nós não tivemos nenhum pênalti a nosso favor neste Campeonato Paulista e o árbitro marca três contra o São Paulo em apenas um tempo de jogo. Neste Paulistão está São Paulo 0 x 20 interpretação". Acho que ele não sabia que o bandeira Carlos Augusto Nogueira foi aquele que no último Brasileirão anulou um gol legítimo do Palmeiras, feito pelo Max, na partida vencida por 1 x0 pelo São Paulo no Parque Antártica. Só pra refrescar sua curta memória.

No Rio, o técnico Joel Santana também chiou: "No fundo sempre temos culpa no cartório. Fla é o diabinho, e eles são os anjinhos". Alguém pode arrumar um lenço pro moço?

O fato é que ganhou quem jogou bola. Aos perdedores, restou o choro. Chororô.



quarta-feira, 12 de março de 2008

Bate-boca é parte do jogo?


Uma das coisas mais legais do futebol é sacanear os adversários. Isso, todos concordamos. É tão bom que sempre ouvimos coisas do tipo "o campeonato não interessa, desde que o meu time ganhe do...". Tem gente que torce mais contra o time do vizinho do que a favor do seu. Só pelo prazer de sacanear o outro. Legal. Mas as polêmicas, os bate-bocas, e até os deboches me parecem decorrências, e não objetivos do jogo.


Quando o futebol nasceu e se espalhou pelo mundo, as deficiências técnicas de um esporte ainda jovem, e impossibilidades físicas acabaram por criar distorções na aplicação das regras do jogo (os chamados erros de arbitragem) que foram, por muitas décadas, difíceis de serem superadas. Copa do Mundo decidida com bola que não entrou (66), gol de mão que leva time pra semi-final da Copa do Mundo (90), como exemplos. Veja que eu falei de Copas do Mundo, onde temos a nata dos boleiros e árbitros do mundo.


Se na Copa do Mundo é assim, imagine o resto (veja o post sobre a arbitragem de São Paulo, mais abaixo). Ora, o mundo mudou, o jogo ficou muito veloz, aplica-se força de super-atleta a cada jogada dividida, o espaço percorrido por um jogador em uma partida mais que dobrou nos últimos 25 anos (!), e as leis que regem tudo isso.... nada!! São iguais (com sutis ajustes, não mudanças)!!! A International Board, órgão que rege as leis do futebol, reúne senhores britânicos (mais dois representantes da FIFA) bem velhinhos, duas vezes por ano para decidir o que muda, baseando-se em sugestões enviadas pela FIFA e seus afiliados. Ao final de cada reunião vem a resposta: NÃO MUDA NADA. Todo ano é a mesma coisa. A última foi a bola com chip que avisa quando ultrapassa a linha de gol. A IB vetou, e ponto final, sob a alegação de que as discussões e bate-bocas são fundamentais ao futebol!!!!!

Estamos falando de um esporte que movimenta bilhões de dólares (ou é melhor falarmos em Euros?) a cada ano, mobiliza milhões de torcedores, veículos de comunicação, atletas e... NÃO MUDA NADA. O vôlei criou intervalos dentro dos sets para acomodar a publicidade da tv, que paga a conta dos campeonatos, acabou com a "vantagem"(os jogos quase que não tinham fim), o tênis, de característica muito mais rígida e tradicional do que o nosso futebol, criou o "challenge", dando direito aos jogadores de questionarem uma marcação dos juízes e a dúvida é tirada em um telão, pra todo mundo ver se foi dentro ou fora!! O Football (o futebol americano, que se joga com as mãos...!??) usa e abusa de uma comissão de árbitros que, em caso de dúvida, checa os vts na hora e anuncia a decisão em alto-falantes espalhados pelo estádio, para não deixar dúvidas. Bem, a lista é longa, vamos voltar à IB, aquela que NÃO MUDA NADA.


É quase absurdo que recursos simples, testados e aprovados, como a "tinta spray" que marca a distância da barreira (nós usamos no Brasil, faz muito tempo... e é ótimo!!), seja rejeitada pela Board, sabe-se lá sob qual alegação. Não pode e pronto. Nos jogos internacionais é aquela confusão a cada cobrança de falta, quase sempre com a barreira próxima demais da bola. A bola com chip, para avisar se entrou ou não. Testada, aprovada... e rejeitada! Não pode. O que vale é o bate-boca, o que vale é o erro, e danem-se os investimentos, a mobilização da torcida, os investimentos das tvs ao redor do mundo. O sistema de faltas que foi testado no Paulistão (um limite de faltas, a partir do qual, o time teria direito a cobrança de tiro livre direto), que diminuiu drasticamente o número de faltas por partida. Levaram para a Board, e a resposta? NÃO MUDA NADA!


É incrível que um esporte fácil, barato, que pode ser praticado por quase qualquer pessoa, que não requer atributos físicos especiais, que só precisa de uma bola, que pode ser de meia, de plástico ou mesmo bola com chip, e que por isso se tornou o esporte mais popular do mundo, esteja ficando à mercê de senhores com visão turva e ultrapassada, enquanto o mundo caminha pra frente.... e rápido. E a velha desculpa: a polêmica faz parte do jogo. Não!! A polêmica foi absorvida pelo jogo por falta de opções melhores, mas tudo mudou. Menos o jogo. As discussões vão continuar sempre, mas devem ser sobre quem é melhor, quem jogou melhor, e não quem foi beneficiado ou prejudicado pelos árbitros e auxiliares.


Do jeito que as coisas andam, com as milhões de câmeras a cada jogo mostrando os erros absurdos (vou deixar na conta do erro), causando prejuízos a clubes e patrocinadores, às vezes de milhões, lesando o bolso dos torcedores, enlouquecendo dirigentes um pouco mais sérios... brevemente vai faltar dinheiro para pagar a conta, cada vez mais cara, da nossa diversão de domingo. E aqueles senhores britânicos não estarão aqui para ver... terão morrido. O que também não muda nada!
HELENO DE FREITAS

terça-feira, 11 de março de 2008

Eu quero ver os julgamentos ao vivo!


Será que tem alguém disposto a investir na transmissão, através de pay-per-view, dos julgamentos no TJD? Isso poderia render uma baita grana para as Federações, principalmente no caso da Federação Paulista.

Puta programação!

Só neste ano já perdemos o julgamento do Adriano, do Cuca e sete jogadores do Botafogo e do Luxemburgo!!! Porra, isso tá melhor que o Campeonato Paulista! Segumda-feira que vem tem o julgamento do goleiro Marcos, que pode ser suspenso do futebol por até 540 dias! E eu vou perder!!!

Como agora toda semana tem julgamento, a programação está mais emocionante do que nunca!

Pela primeira vez na história do futebol os árbitros poderiam contribuir para a criação de conteúdo televisivo!

Leia na imagem (acima) da súmula do árbitro Paulo César de Oliveira o relato que descreve a "agressão" do goleiro Marcos contra o jogador Malaquias do Bragantino e omite completamente a delicada solada-na-boca-do-estômago que o goleiro do Palmeiras levou. 

Esse Paulo César de Oliveira é ótimo! Poderia ser diretor de conteúdo do Canal TJD. 

Quanta diversão teríamos, heim...

É, coronel...

Se me perguntassem hoje qual é o destaque do Paulistão, infelizmente não poderia responder que é o Valdívia, o Adriano, o Dentinho ou qualquer outro jogador. O que mais chama atenção neste campeonato são os árbitros e o show de incompetência a cada rodada. Não passa uma em branco. O que está errado na arbitragem de São Paulo? Deveríamos estar questionando um especialista em arbitragem. Alguém que conhece profundamente as regras, as dificuldades em campo, a preparação física e psicológica dos árbitros e suas limitações, a pressão de atletas e torcedores e até a realidade financeira daqueles que optam por "ganhar um troco" (a expressão é essa mesma) arbitrando jogos de futebol. No entanto, quem responde a tudo isso em São Paulo é um ex-coronel da Polícia Militar. O Coronel Marinho. O erro começa aí.

As qualidades do Coronel Marinho enquanto policial não vou questionar. Mas que cazzo ele faz no comando da arbitragem em São Paulo? O resultado é esse que estamos acompanhando. Erros sucessivos e grotescos em diversas (diversas!!!) partidas do Campeonato Paulista. Os árbitros, pelo que me parece, assumiram o "espírito do coroné": estão mais arrogantes e autoritários do que nunca. Cagam, sentam em cima e ainda mandam técnicos e jogadores calarem a boca. QUE PORRA É ESSA?

Lembro que nós, torcedores, gastamos bastante dinheiro para ver nossos times ao vivo no estádio ou através do pay-per-view. Falando o bom "português futebolesco" (isso existe? rs), eu quero que os juízes se fodam (no bom sentido... rs). Não pago pra ver árbitro aparecer, fazer gracinha e pagar de dono da bola. Sinto-me profundamente logrado quando assisto uma partida do meu time e vejo o árbitro fazendo o que quer em campo simplesmente porque ele é a "autoridade". Ninguém paga pra ver árbitro, certo? Então ele que entre e saia de campo sem fazer muito alarde.

Aí um clube gasta uma fortuna com atletas, equipe técnica, estrutura, fecha contratos milionários com patrocinadores e a "otoridade" simplesmente chega e caga tudo. Expulsa técnico, jogador, massagista ou qualquer outro mortal que ouse questionar sua soberania no gramado. E ainda anota um monte de bobagens na súmula que é pro cidadão ir a julgamento e deixar de trabalhar por algum tempo. Enquanto isso, seus erros, suas CAGADAS, são estranhamente esquecidas ou atenuadas sob o discurso da "interpretação". Pergunto de novo: QUE PORRA É ESSA?

E o "coroné" faz o que? Está mais perdido que o Jack na ilha de "Lost". Suas respostas, quando não são meros exercícios de autoridade, resumem-se a "vamos ver o video e avaliar". Enquanto isso, o pau come. Quem não sabe jogar, bate. Quem apanha e reclama, é suspenso. Quem investe, perde. E nós, torcedores, temos que torcer não apenas para nossos clubes, mas para o árbitros não fazerem merda.

Aliás, muitos dizem que é muito difícil ser árbitro de futebol. Não concordo. É mole. Se fosse difícil, o cara teria que dedicar sua vida a isso. Não é o que acontece. O cidadão sai do local onde trabalha e viaja duas vezes por semana pra apitar o seu jogo. Ou seja: não passa de um "bico". E não conheço nenhum "bico" que seja lá muito complicado de ser realizado. Na pior das hipóteses, se fizer merda, anota lá que não viu nada ou que achou outra coisa e dane-se.

E, depois de tudo isso, ainda dizem que o futebol paulista é o melhor do Brasil...

O que você acha, "coroné"?

quarta-feira, 5 de março de 2008

O mago e a magia.

O futebol nos tempos do profissionalismo exacerbado, do nivelamento por baixo, se tornou burocrático, chato, previsível, comentado e relatado com frases feitas. Nos tempos modernos, onde não se cria mais identificação clube-jogador, os "atletas" (não é mais jogador!) não se arriscam a pronunciar frases que possam incomodar adversários. Nas entrevistas (com hora marcada), as respostas são sempre padronizadas, chatas, previsíveis. Não falam nada, pois pensam que alguns meses depois podem estar do outro lado ou que alguns meses antes estavam no rival e assim por diante. O jogador já chega no clube pensando em sair. O "agente/empresário/procurador/advogado" do jogador é o mesmo de inúmeros outros jogadores que jogam nos clubes adversários; o mesmo vale para os seus patrocionadores. Todos frequentam as mesmas festas, os amigos são os mesmos, vieram dos mesmos lugares e promovem um enorme troca troca, uma verdadeira dança das cadeiras. Sai do Corinthians, passa 2 meses na Turquia e vem para o São Paulo; Disputa um campeonato paulista, se transfere para o Flamengo. Lá encontra o velho amigo que conheceu nos tempos de Palmeiras, 9 meses antes. Com essa dinâmica, quem perde? a rivalidade, a graça do futebol, aquela identificação entre clube, jogador e torcida.

O torcedor não tem certeza se aquele sujeito em campo com a camisa do seu time de coração, realmente se importa com o clube ou apenas com o contra-cheque. Na cabeça do torcedor, que é passional e não "profissional", é complicado digerir que após perder um clássico o jogador que "defende" seu time, vai lá abraçar, trocar a camisa e combinar a balada da noite com o jogador do time rival. Resta ao torcedor assisitir clássicos com jogadores sem "alma", politicamente corretos demais, com respostas ensaiadas e que sequer comemoram seus gols de forma espontânea, pois temem melindrar a todos os outros.

Aliás, melindrar é o termo que melhor descreve. Hoje, se falar um "a", se mostrar um pingo de irreverência, um pouco mais de vontade de ganhar do que o normal, já é suficiente para o adversário se sentir desmerecido, para a imprensa botar pilha e dizer que ofendeu, etc. Todos fazem parte de um só balaio corporativista que não permite qualquer defesa explícita das cores do time que defende (paga o salário). Driblar em campo? também não pode, é humilhar. Afinal de contas, o empresário pode ser o mesmo, o passe desvaloriza, aquele negócio todo....

Aí, aparece um cara que vem lá do Chile e não tem nada a ver com essa história toda. Ele não é amigo dos mesmos amigos, não frequenta a mesma balada, não tem o mesmo "agente", não fala a mesma língua e, principalmente, enxerga o futebol de outra forma. Como todo resto da américa latina (exceto os brasileiros), no Chile os jogadores ainda preservam a lealdade ao clube que lhes projeta, que lhe dá melhores condições de vida, que lhe respeita. A entrevista que ele concede hoje, não vem pautada pela possibilidade de no futuro próximo ele estar do outro lado do muro. A visão é outra, então esse cara se identifica com a camisa que veste e essa postura à moda antiga, salta aos olhos do seu torcedor que rapidamente o transforma em ídolo.

Quem é esse cara?

O nome dele é Jorge Valdívia, 24 anos, um ilustre desconhecido contratado pelo Palmeiras em 2006 por U$ 3 milhões junto ao Colo-Colo. Na sua terra natal é conhecido como "el mago", por razões óbvias. Veio desacreditado, mas recebeu todo respaldo do clube e apoio da torcida. Retribuiu em campo com um futebol refinado, habilidoso, de muita visão de jogo, aliado à raça e orgulho de vestir a camisa palmeirense. Obviamente, caiu nas graças da torcida.

Hoje Valdívia é ídolo e procura resgatar a magia do futebol, a identificação com a camisa que veste, alimenta a rivalidade saudável, comemora seus gols com alegria, dribla, dá show, agrada ao torcedor. Entretanto, continua não fazendo parte "do metiê" dos boleiros. Em campo e fora dele Valdívia está sendo cassado, discriminado pelas arbitragens, mau compreendido pela imprensa. Mas ele não se intimida porquê, assim como os craques de antigamente, está feliz com o clube que defende, sente-se em casa, não joga pensando em sair, é ídolo da torcida. Por tudo isso está resgatando a magia da camisa 10 e incomodando muita gente. Já sofreu 82 faltas no paulistão, apenha em esquema de rodízio e se reclama das faltas não marcadas, das porradas que leva, toma logo um amarelo na cara. É proibido ser craque! ainda mais se for estrangeiro. Bater pode, o que não pode é contestar a autoridade em campo.

Mas o mago não se intimida, não tem medo de pancada, continua driblando com seu futebol irreverente que faz valer o ingresso. Sorte dos palmeirenses e azar dos adversários.

Marcelo SV

segunda-feira, 3 de março de 2008

Onde a irresponsabilidade impera.



Na semana passada, Adriano, ou o Imperador como ele prefere ser chamado, aprontou de novo! E foram várias, em poucos dias. Nenhuma novidade na carreira deste jogador que, entre bons e maus momentos, vai traçando uma trajetória errática e perigosa.


Honestamente, não acho que o Adriano, ou o Imperador, seja um grande craque. Teve lá seus momentos (quase sempre contra a Argentina!), é um bom jogador, mas está longe de ser um gênio. Faça uma lista de qualidades do atleta, e verá que cada uma destas qualidades estará colada a um adjetivo de força. Por exemplo: "forte", "chute potente", "impulsão absurda"... Onde estão o "talentoso", "genial", "habilidoso", e seus similares? Não estou dizendo que ele é mal jogador. Ninguém chega à Seleção Brasileira (com sucesso, em um dado momento), à Internazionale (com sucesso, em um dado momento), sendo um qualquer. O problema do Adriano não está nas pernas, mas na cabeça.


Não vou andar muito para trás, vou ficar apenas nos últimos 90 dias. Na semana passada desembarcou de uma viagem com o São Paulo, sem uniforme (o único jogador a fazê-lo), alegando que estava suado. Só ele. No dia seguinte chegou atrasado aos treinos do clube (o único), e saiu antes da hora(...)! Na mesma madrugada, um de seus carros envolveu-se em um acidente na região da Av. Paulista. É verdade que quem estava dirigindo era o motorista dele, mas só nos últimos 60 dias é o segundo acidente automobilístico. No outro, quem estava dirigindo era ele mesmo. Fora as baladas, cervejadas, cabeçadas nos adversários, e a lista poderia seguir.


Aqui no Brasil temos o hábito de justificar os desvios de conduta, de caráter e demais desvios como sendo fruto do meio, fruto da ignorância, fruto da pobreza! Ora, à parte o fato de que a ignorância é sempre prejudicial, onde estão a índole, a natureza de cada um? Aceitar a tese da família pobre, seria admitir que todos os pobres têm vocação para bandido, que todos os jogadores oriundos de famílias pobres (quase todos) são irresponsáveis e com fortes tendências à estupidez, o que não é o caso. A raiz deste tipo de comportamento está, mesmo, é na natureza de cada um. Os princípios e os valores vêm de berço (e não precisa ser de ouro).


Culpar a morte recente do pai dele, Adriano, o dinheiro entrando rápido e em enormes quantidades ou a pobreza e alguma ignorância pela conduta irresponsável e inconsequente do atleta é simplificar o problema, e tirar dele a responsabilidade sobre seus atos. Veio para o São Paulo para se recuperar física, mental e moralmente, e o que acontece? O empréstimo da Inter ao São Paulo vai até o meio do ano, ainda estamos em Fevereiro (!), e o cara já tocou o maior horror no bem administrado clube do Morumbi. Em pesquisa realizada na Itália, neste fim de semana, os neroazzurri consideraram o jogador brasileiro irrecuperável, e não o querem de volta a Milão. Muito triste para quem fazia comerciais de tv, enfeitava as paredes das lojas da Nike ao redor do mundo e era tratado por IMPERATORE nas ruas da Itália.


Aliás, em entrevista coletiva após as confusões da semana passada, Adriano, ou melhor Imperador, exigiu ser chamado assim, mesmo: IMPERADOR. "Ralei muito para conquistar este apelido, e não vou deixar vocês estragarem minha imagem". Juro que estas palavras forem ditas por ele, referindo-se à imprensa. Um caso clássico de distorção da realidade. Quam está estragando sua imagem, sua carreira, seu nome e seu apelido é o próprio, e mais ninguém.


Veja, estou acabando o texto e não falei de nenhuma grande jogada, gols em profusão. Falei de encrencas e grande confusão. Pena. Não é um gênio, mas é um bom jogador. Mais um que vai ficando pelo caminho.

HELENO DE FREITAS

sábado, 1 de março de 2008

Derby - Não tem nada igual!

"Palmeiras x Corinthians é um jogo que não faz parte do campeonato, não tem nada a ver com a tabela; é um derby, um jogo único que vale por si só"

São mais de 90 anos de uma história iniciada em 6 de maio de 1917 e que resultou numa rivalidade construída dentro das 4 linhas, ao longo de 328 jogos, com 118 vitórias palmeirenses, 112 vitórias corintianas e 98 empates.

Não existe e nunca existirá outro clássico tão importante quanto um Palmeiras e Corinthians no Brasil. Não por acaso o site http://www.footballderbies.com/ elege este como sendo o jogo de maior rivalidade no Brasil. Independente de tabela, de como estão os times, de classificação ou campeonato. Nenhum jogo é mais glamoroso, mais importante e mexe tanto com a cidade quanto este. Não é a toa que este é o "Derby". Os jogadores sentem a atmosfera diferente de qualquer outro clássico e a torcida também. "É diferente e ponto".

Mundo afora a denominação Derby é usada para marcar posição, para colocar frente a maior rivalidade local. É assim como Barça x Real, Roma x Lazio, Milan x Inter, Glasgow x Celtic, Boca x River, Arsenal x Tottenham, Galatasaray x Fenerbahce, entre outros.

Neste jogo tudo é diferente, basta ver: é o único clássico onde ambos os times podem sempre jogar com seu uniforme tradicional sem precisar alterar nenhuma peça, pois não coincidem; é como água e óleo, pois não se misturam ;camisas verdes, calções brancos e meias verdes, sempre enfrentam camisas brancas, calções pretos e meias brancas; é assim e acabou! é Zona Leste x Zona Oeste; é Nike x Adidas. Entre os todos os clássicos, independente de fase dos times, é sempre a maior média de público; é o que chama mais atenção e pára a cidade. São maiores campeões paulistas da história, em confronto. Para o palmeirense vale um campeonato, para o corintiano idem. Perca do São Paulo, seja goleado pelo santos, mas ganhe o Derby.

Que me desculpem os tricolores, mas na maior e mais importante rivalidade de São Paulo, o "São Paulo Futebol Clube" é e sempre será, um mero espectador.

Marcelo SV